Síria rejeita pressão da Liga Árabe e renova ataques em Homs

Rússia e China evitam apoio direto à proposta de missão de paz da ONU para o país, rejeitada pelo governo de Assad

iG São Paulo |

Ativistas disseram que as forças de segurança da Síria atacaram a cidade de Homs nesta segunda-feira, após o governo do presidente Bashar Al-Assad rejeitar os esforços da Liga Árabe em buscar um missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) para o país.

De acordo com moradores, tanques do Exército atacaram dois bairros controlados pela oposição em Homs, no décimo dia consecutivo de uma operação militar que deixou centenas de mortos .

Leia também: Liga Árabe pedirá na ONU criação de força de paz conjunta para Síria

Reuters
Tanques são vistos em bairro de Homs, na Síria (12/02)

No domingo, em um encontro no Cairo, os chanceleres da Liga Árabe decidiram pedir ao Conselho de Segurança da ONU uma missão de paz conjunta entre as duas organizações, com o objetivo de pôr fim à violência. Os ministros também concordaram em cortar toda a cooperação com o governo sírio e abrir um canal de comunicação com a oposição no país.

O representante sírio na Liga Árabe, Youssef Ahmad, rejeitou a resolução, dizendo que ela "reflete a histeria destes governos" após uma tentativa fracassada de aprovar uma resolução do Conselho de Segurança contra a Síria, vetada por Rússia e China .

Nesta segunda-feira, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou que seu governo está estudando a proposta da Liga Árabe. Ele acrescentou, porém, que a violência precisa acabar antes de qualquer missão ser enviada a Síria.

“Primeiro temos de ter paz, depois vamos apoiá-la”, disse Lavrov em entrevista coletiva em Moscou. Ele sugeriu que um cessar-fogo seja declarado pelo governo e pela oposição.

A chancelaria chinesa manifestou seu aval à mediação da Liga Árabe na Síria, mas evitou dizer se apoia ou não o envio da missão de paz. "A China propõe e apoia continuados esforços da Liga Árabe para a mediação política, a qual tem um papel proativo e construtivo com relação à resolução pacífica da questão síria", disse o porta-voz da chancelaria chinesa, Lui Weimin.

"Acreditamos que as Nações Unidas deveriam oferecer uma assistência construtiva com base na Carta da ONU e nas normas das relações internacionais", acrescentou.

Reunião da Liga Árabe

A Liga Árabe tem exercido um papel de líder regional nos esforços para conter a violência na Síria. O grupo conseguiu levar adiante um plano de paz que Assad assinou em dezembro , e então enviou monitores para verificar se o regime sírio cumpria com as propostas. Porém, quando ficou claro que o governo estava ignorando os termos do pacto e intensificando a represão, a Liga retirou os observadores no mês passado.

Durante a reunião da Liga Árabe no sábado, o secretário-geral do grupo, o general Nabil el-Arabi, disse que é chegado o momento de uma ação decisiva para acabar com o sofrimento do povo sírio.

O chanceler saudita Saud Al-Faisal transmitiu a frustração da Liga com a Síria dizendo aos delegados que não era mais apropriado para o grupo, formado por 22 países, assistir passivamente ao derramamento de sangue. "Até quando vamos nos manter espectadores?", disse. "É uma desgraça para nós como muçulmanos e árabes aceitarmos (a violência na Síria)."

O número de vítimas no conflito entre o governo e manifestantes varia de acordo com diferentes contagens. Grupos de direitos humanos dizem que 7 mil foram mortos por tropas do governo desde março. O governo afirma que 2 mil integrantes das suas forças de segurança foram assassinados por ativistas.

A ONU interrompeu a contagem de mortos que fazia, afirmando que é impossível averiguar dados com independência. O último dado divulgado pela ONU, em janeiro, é de que 5,4 mil mortos.

Com AP, BBC e Reuters

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