Síria rejeita plano da Liga Árabe que prevê renúncia de Assad

Governo sírio diz que proposta de governo de unidade nacional é 'ataque à soberania' e parte de 'conspiração'

iG São Paulo |

O governo sírio rejeitou nesta segunda-feira a mais recente proposta da Liga Árabe para tentar encerrar o conflito no país, que já dura dez meses. De acordo com a TV estatal, o regime considerou um “ataque à soberania nacional” o pedido do grupo para que o presidente Bashar Al-Assad se afaste do cargo e dê lugar a um governo de unidade nacional.

A proposta foi feita no domingo, após uma reunião no Cairo da qual participaram os ministros das Relações Exteriores de países membros da Liga Árabe. De acordo com um comunicado lido pelo premiê do Catar, xeque Hamad Bin Jassim Al-Thani, Assad deve "delegar os poderes ao vice-presidente para trabalhar em conjunto com um governo de unidade nacional", a ser formado dentro de dois meses.

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AP
Manifestante protesta contra governo da Síria em frente à sede da Liga Árabe no Cairo (22/01)

Segundo a TV estatal síria, um representante do governo afirmou que a iniciativa "não reflete os interesses do povo sírio" e é parte da “conspiração contra a Síria”.

O Comitê de Coordenação Local, um grupo de oposição, criticou o novo plano da Liga Árabe dizendo que ele dá ao governo sírio “mais uma oportunidade e mais tempo para enterrar a revolução”. Os ativistas pedem que a Liga assuma que não conseguiu encerrar a crise e peça ajuda à ONU para “forçar o regime a cumprir as demandas dos opositores”.

A Liga Árabe anunciou que buscará a aprovação do Conselho de Segurança da ONU para sua proposta. O plano prevê a criação de um governo de coalizão, a criação de uma nova Constituição e a realização de eleições para o Parlamento e Presidência.

Seria criada ainda uma comissão especial para investigar os assassinatos durante as manifestações pró-democracia, que começaram em março do ano passado. A Liga voltou a pedir que ambos os lados evitem a violência.

Pouco antes, a entidade havia dito que sua missão de observadores na Síria ficaria no país por mais um mês, apesar das críticas quanto à sua eficiência. Ativistas dizem que quase mil pessoas foram assassinadas no país desde o início da missão, em dezembro.

No entanto, um dos principais financiadores dos projetos da Liga Árabe, a Arábia Saudita, disse que está se desligando da missão à Síria, acusando o governo Assad de não cumprir compromissos assumidos.

Sanções da UE

Em uma reunião em Bruxelas nesta segunda-feira, chanceleres dos países da União Europeia (EU) manifestaram apoio ao plano da Liga Árabe e ampliaram a lista de indivíduos e empresas sírias que são alvos de sanções. Com isso, mas oito empresas e 22 indivíduos terão seus bens bloqueados e estarão proibidos de entrar no bloco.

A ONU estima mais de 5 mil mortos desde março do ano passado, início dos protestos contra Assad. O governo diz que cerca de 2 mil integrantes de suas forças de segurança foram mortos.

Compra de aviões russos

Também nesta segunda-feira, o jornal russo Kommersant afirmou que a Síria comprará 36 aviões militares de treinamento da Rússia. De acordo com a publicação, o acordo para compra das aeronaves modelo Yak-130 tem valor estimado em US$ 550 milhões.

Se o acordo for confirmado oficialmente, será um sinal de apoio ao regime de Assad e um desafio aos esforços internacionais para pressionar o regime. Na semana passada, o chanceler russo, Sergey Lavrov, disse que a Rússia não via necessidade em oferecer “explicações ou desculpas” sobre suspeitas de que um navio do país entregou munição à Síria, apesar de um embargo de armas aprovado pela União Europeia.

A Rússia é aliada da Síria desde a era soviética e já vendeu ao país aeronaves, mísseis, tanques e outros armamentos. O Yak-130 é um jato bimotor para treinamento que também pode ser usado para atacar alvos em terra. Recentemente, a Força Aérea russa fez um pedido por 55 aeronaves deste modelo.

Com AP, AFP e Reuters

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