Síria nega existência de vala comum; oposição marca greve geral

Ministério nega que corpos tenham sido encontrados em vala em Deraa, epicendo do levante antigoverno; greve é marcada para amanhã

iG São Paulo |

AFP
Reprodução de vídeo do YouTube mostra manifestantes antigoverno em Hama, a norte de Damasco, Síria (13/05)
O Ministério do Interior sírio negou nesta terça-feira a existência de uma vala comum na localidade meridional de Deraa, epicentro dos protestos na Síria, como denunciou na segunda-feira uma organização opositora. A negativa foi feita no mesmo dia em que a oposição do país convocou para quarta-feira uma greve geral, apesar da repressão do regime contra as manifestações antigoverno.

Em nota divulgada na televisão estatal síria, o ministério afirmou que "as informações sobre a vala comum são falsas e são dadas em meio a uma campanha de incitação".

A Organização Nacional para os Direitos Humanos na Síria denunciou na segunda-feira em comunicado a descoberta de uma vala comum em Deraa, com um número não determinado de corpos. Além disso, a organização indicou que as autoridades cercaram o lugar e proibiram a liberação dos restos mortais aos familiares.

Nesta terça-feira, a rede opositora Sham postou em sua página no Facebook dois vídeos com supostas imagens da vala comum em Deraa. A autenticidade do material, porém, não pôde ser verificada.

A rede "Al Jazeera" informou nesta terça-feira em sua edição online em inglês que, segundo testemunhas, foram encontrados pelo menos 20 corpos na vala, sendo vários de uma mesma família. De acordo com a rede, 13 corpos foram retirados do local.

Na sexta-feira, o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas disse que o número de mortos na Síria pode chegar a 850 e milhares de manifestantes têm sido presos durante a repressão militar de dois meses.

Greve geral

A oposição síria fez nesta terça-feira uma convocação de greve geral, desafiando mais uma vez a repressão do regime de Bashar al-Assad, no momento em que o Exército mantém o estado de sítio da cidade de Talkalakh , onde as forças de segurança estão presente há vários dias.

"A quarta-feira será um dia de greve geral na Síria", afirma um comunicado publicado no Facebook. "Será um dia de castigo contra o regime", diz o texto. "Vamos fazer da quarta uma sexta-feira (dia habitual das manifestações), com protestos em massa, sem escola, sem universidade, sem lojas nem restaurantes abertos e até sem táxis."

A convocação coincide com as informações de que há dezenas de mortos e feridos nas ruas de Talkalakh, no oeste do país. "Parece uma cidade fantasma, posso ver corpos na entrada da cidade e dezenas de feridos que não podem sair", afirmou por telefone na manhã desta terça-feira um morador sunita.

O Alawi, ramo do islamismo xiita, minoria na Síria, constitui a base do regime. A maioria dos 22 milhões de habitantes são sunitas.

Na noite de segunda-feira, os moradores ouviram bombas e disparos no bairro de de Deir Baalba, na cidade de Homs, no centro do país, que está cercada pelo Exército. "Centenas de tanques foram mobilizados na região e as forças de segurança controlam as identidades e registram os veículos minuciosamente", disse o morador.

Como os jornalistas estão proibidos de entrar na Síria, as informações e testemunhos não podem ser verificados de forma independente.

*Com AFP e EFE

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