Síria mantém repressão em Hama enquanto protestos se espalham

Forças de segurança abriram fogo contra milhares de manifestantes em várias cidades, incluindo a capital, Damasco

iG São Paulo |

AP
Imagem de vídeo publicado na internet diz mostrar protesto nas ruas de Homs
Forças de segurança da Síria abriram fogo contra milhares de manifestantes que lotaram as ruas de várias cidades nesta sexta-feira para exigir a queda do presidente Bashar Al-Assad. Os confrontos teriam deixado ao menos 13 mortos, de acordo com testemunhas.

Os enormes protestos desafiaram o Exército, que desde domingo promove uma violenta ação militar que deixou mais de 100 mortos, a maioria em Hama.

As manifestações e confrontos desta sexta-feira aconteceram na capital, Damasco, e em cidades como Deraa, Deir el-Zour, Qamishli e Homs.

"Hama, estamos com você até a morte", gritava uma multidão durante marcha em um bairro centro de Damasco. Os manifestantes batiam palmas enquanto gritavam "Não queremos você, Bashar" e "Vá embora".

Em Hama, tanques foram posicionados em várias áreas da cidade durante a madrugada,  na tentativa de impedir a realização de protestos.

Moradores também disseram que a cidade foi bombardeada na noite de quinta-feira e que a ação militar deixou 250 mortos desde domingo. Com base em relatos de residentes que fogem de Hama, Hozan Ibrahim, dos Comitês Locais de Coordenação - que monitoram a repressão contra os manifestantes -, disse que até 30 morreram só na quarta-feira. Mas nenhum dos números pôde ser confirmado com fontes independentes.

Nesta sexta-feira, a TV estatal síria mostrou imagens de prédios danificados e ruas cheias de destroços em Hama, mas disse que o Exército sírio colocou fim à uma “rebelião armada”. O governo de Al-Assad culpa “gangues armadas” pela onda de violência no país.

Pessoas que conseguiram fugir de Hama disseram que a situação é pior do que nos anos 1980 , quando o então presidente Hafez Assad, pai de Bashar, deixou pelo menos 10 mil mortos na repressão a protestos.

Pressão internacional

A ação militar em Hama provocou uma nova onda de pressão internacional sobre o governo da Síria. Nesta quinta-feira, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse que Assad arrisca ter um "triste destino" se não implementar reformas e se reconciliar com seus opositores.

"Ele (Assad) precisa urgentemente executar as reformas, reconciliar-se com a oposição, restaurar a paz e estabelecer um Estado moderno", disse Medvedev à rádio russa Ekho Moskvy, à televisão Russia Today e à PIK-TV, da Geórgia.

Na tentativa de conter os protesto, Assad assinou um decreto autorizando o multipartidarismo um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado uma declaração que condena o governo Assad pela violenta repressão às manifestações pró-democracia no país.

Mas os ativistas sírios rejeitaram o decreto , dizendo se tratar de uma tentativa de desviar a atenção da violenta repressão aos protestos, iniciados em 15 de março.

Consenso na ONU

A declaração referendada na quarta-feira pelo Conselho de Segurança, formado por 15 países-membros da ONU, incluindo o Brasil, condena a "violação generalizada dos direitos humanos e o uso da força contra civis pelas autoridades sírias".

O Líbano, que está na esfera de influência da Síria, decidiu se desassociar do texto final, lançando mão de um procedimento que não era usado no órgão havia décadas.

A ONU também pede "o fim imediato de toda violência" na Síria e chama as partes a "agir com máxima moderação e se abster de represálias, incluindo ataques contra instituições do Estado".

Essa foi a primeira declaração condenando a repressão dos protestos por parte do regime de Assad.

Com AP, Reuters e BBC

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