Síria mantém repressão e provoca críticas de países árabes

Exército ataca Deir el-Zour pelo segundo dia consecutivo; líder da Arábia Saudita critica governo sírio e pede fim da violência

iG São Paulo |

AFP
Imagem de vídeo postado na internet que diz mostrar tanques na cidade de Deir el-Zour (07/08)
O Exército sírio retomou nesta segunda-feira os ataques à cidade de Deir el-Zour, leste do país, um dia depois de uma violenta operação ter deixado entre 40 e 50 mortos, de acordo com testemunhas. Em um sinal da crescente pressão internacional contra a Síria, países árabes se uniram à onda de críticas contra a repressão de protestos antiregime.

Moradores de Deir el-Zour afirmaram que é possível ouvir tiros e explosões em várias áreas da cidade, e o medo de sair às ruas impede que feridos sejam levados ao hospital. Além disso, também há relatos de que o Exército sírio invadiu a cidade de Maret Noman, na província de Idleb, no norte do país, com tanques blindados e artilharia pesada.

As ações se somam à violência registrada na semana passada em várias cidades sírias, principalmente Hama , palco de alguns dos mais intensos protestos contra o presidente Bashar Al-Assad.

Por causa da onda de ataques, três países árabes convocaram seus embaixadores em Damasco para consultas: Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait.

Em pronunciamento na TV, o rei Abdullah da Arábia Saudita fez duras críticas ao governo sírio, acusando-o de responder de forma desproporcional aos protestos.

“Qualquer árabe, qualquer muçulmano, qualquer pessoa sã sabe que isso (a repressão) não tem nada a ver com religião, ética ou moral. Derramar o sangue de inocentes por qualquer motivo ou pretexto não leva a um caminho de esperança”, afirmou Abdullah, cujo governo enviou tropas para ajudar o governo do Bahrein a reprimir manifestações antiregime.

O líder saudita pediu o fim da “máquina de matar” e a implementação de reformas para evitar o caos. "A Síria deveria pensar de forma sensata antes que seja muito tarde e emitir e instaurar reformas que não sejam meramente promessas, mas reformas de fato", disse. "Ou (o país) escolhe a sabedoria por conta própria ou será arrastado para as profundezas da confusão e da perda."

No domingo, os 22 países-membros da Liga Árabe se disseram “alarmados” com a situação na Síria e pediram o fim imediato da violência. O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que seu ministro das Relações Exteriores irá a Damasco para transmitir uma “forte mensagem” sobre a repressão aos protestos.

O ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Nasser Judeh, fez um apelo por diálogo, mas não condenou o governo sírio. Citado pela agência oficial do país, Petra News, o ministro afirmou que a violência era “perturbadora”, mas que Amã não pode interferir nos assuntos internos do país vizinho.

Operação militar

Paralelamente à ofensiva na cidade de Deir el-Zour, a agência estatal Sana anunciou nesta segunda-feira que o ministro da Defesa, Ali Habib, foi substituído pelo chefe das Forças Armadas sírias. A nomeação do general Dawoud Rajha como novo titular da pasta seria, de acordo com a agência, parte de uma série de mudanças em postos-chaves da cúpula de Bashar al-Assad. De acordo com a agência estatal, Habib foi afastado por problemas de saúde.

Nesta segunda-feira, o site do ministério da Defesa sírio foi tirado do ar depois de ter sido invadido pelo grupo de hackers Anonymous. De acordo com o grupo, a ação teve como objetivo protestar contra a violenta repressão do governo contra os manifestantes opositores. "Para o povo sírio: O mundo está com vocês contra o brutal regime de Bashar al-Assad", dizia a mensagem.

No domingo, Assad justificou a repressão dizendo que o Estado tem a "obrigação" de manter a ordem.  "Atuar contra os que estão fora da lei, bloqueiam as ruas, fecham as cidades e aterrorizam a população é uma obrigação para o Estado, que deve defender a segurança e proteger a vida dos cidadãos", afirmou.

No sábado, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al-Muallem, assegurou que o país realizará eleições legislativas antes do fim do ano e que as urnas servirão como "árbitro" nas reformas anunciadas por Assad. O chefe da diplomacia síria acrescentou que o Parlamento eleito no pleito revisará as leis que foram adotadas para decidir sobre elas.

Assad promulgou na quinta-feira passada os decretos legislativos 100, referente à Lei de Partidos, e o 101, sobre a Lei de Eleições Gerais, que abrem o país ao multipartidarismo. A oposição síria, no entanto, rejeitou as mudanças, ao colocar em dúvida a efetividade das reformas e questionar a demora após meses de protestos e milhares de mortes.

Com AP, BBC, EFE e AFP

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