Síria inicia libertações e anuncia comissão de diálogo

Segundo Observatório Sírio dos Direitos Humanos, mais de 500 prisioneiros foram libertados um dia depois de anúncio de anistia

iG São Paulo |

Um dia depois de o presidente da Síria, Bashar al-Assad, anunciar anisitia geral para prisioneiros políticos, o governo sírio libertou centenas de presos políticos nesta quarta-feira e anunciou uma comissão para promover o diálogo nacional. 

"Como parte da anistia, centenas de pessoas foram liberadas. Cinquenta delas vêm de Banias, no noroeste do país, como o poeta Ali Derbak, de 76 anos", declarou o chefe do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, Rami Abdel-Rahman. Segundo o ativista, mais de 500 prisioneiros foram libertados pelas autoridades nesta quarta-feira.

AP
Foto feita por cellular de manifestante mostra protestos contra o governo de Assad, em Homs, na Síria (27/5/2011)
Ele acrescentou, no entanto, que "milhares de presos políticos ainda permanecem detidos e podem ser liberados a qualquer momento".

Apesar de ter beneficiado membros da Irmandade Muçulmana, considerada ilegal no país, a anistia concedida para prisioneiros políticos não se estendeu a líderes do Partido do Trabalho, vistos como comunistas ilegais no país. De acordo com o chefe da ONG, não foram beneficiadas pessoas condenadas por terem aderido a "uma organização cujo objetivo seja modificar o estatuto econômico e social do Estado".

O Departamento de Estado americano mostrou-se reticente em relação às primeiras libertações e exigiu que todos os prisioneiros políticos sejam soltos, assim como o início de reformas por parte do governo de Assad. 

Diálogo nacional

Também nesta quarta-feira, o governo sírio anunciou a criação de um órgão para promover um "diálogo nacional" no país, palco de protestos desde meados de março contra o governo. Segundo a TV estatal síria, "o organismo ficará encarregado de estabelecer as bases para um diálogo nacional, de determinar seu mecanismo e seu programa".

Assad se reuniu com os membros desse novo organismo e pediu-lhes para "formular os princípios gerais do diálogo que se abrirá de forma a criar um clima adequado para que as diferentes correntes possam se expressar e apresentar suas propostas".

A entidade será integrada pelo vice-presidente Faruk al Shareh, altos funcionários do partido Baath e da Frente Progressista (coalizão de partidos chefiados pelo Baath), além de um escritor e um professor.

De acordo com ativistas de direitos humanos, mais de 1 mil manifestantes morreram desde o início dos protestos contra o regime de Assad na Síria no início de março. De acordo com comunicado da Organização Nacional de Direitos Humanos Síria (ONDHS), “quase 1.118 mártires morreram até agora, além dos feridos".

A ONG acrescentou que, de acordo com as informações obtidas por organizações pró-direitos humanos, o Exército e os corpos de segurança estão cometendo "violações sem precedentes" na Síria.

*Com AFP e AP

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