Síria inicia diálogo com oposição em meio a ceticismo

Vice-presidente falou em transição democrática; êxito de encontro depende da oposição, cujos ativistas boicotaram a reunião

iG São Paulo |

O governo da Síria deu início a uma reunião de dois dias entre integrantes do partido governista, o Baath, e grupos de opositores.

O esperado diálogo nacional, no entanto, foi boicotado por diversos ativistas que vêm realizando protestos contra o governo e começa cercado de ceticismo por críticos do regime que julgam o evento uma jogada promocional do presidente Bashar al-Assad.

AP
Vice-presidente Farouk al-Sharaa (3 à esq.) se reúne com figuras da oposição menos proeminentes em Damasco, capital da Síria
De acordo com o governo, o encontro, que está sendo realizado na capital Damasco, discutirá a adoção de possíveis reformas, entre elas a introdução de um sistema multipartidário e a adoção de uma nova lei de imprensa, que atualmente é fortemente controlada no país.

Na abertura do encontro, o vice-presidente sírio, Farouk al-Sharaa, falou em uma transição à democracia no país que há quatro décadas é governado pela mesma família, pedindo aos manifestantes opositores que considerem aceitar reformas. "Espero que alcancemos... a transição para um Estado democrático que goza de igualdade para todos seus cidadãos que participam da formação de seu próprio futuro", disse Sharaa na abertura do encontro.

Grupos de direitos humanos estimam que mais de 1.750 pessoas foram mortas, entre elas 350 oficiais de segurança do governo, durante a repressão aos protestos de rua que vem sendo realizados na Síria há mais de um mês. Os ativistas, inspirados em movimentos semelhantes que provocaram a queda dos governos do Egito e da Tunísia, clamam por mais liberdade e querem a deposição do regime de Assad.

Oposição

A imprensa estatal síria disse que oficiais do Partido Baath, líderes da oposição, acadêmicos e jovens ativistas participarão do ''diálogo nacional''. De acordo com o correspdondente da BBC em Beirute, Owen Bennett-Jones BBC News, há sérias dúvidas quanto ao processo de diálogo ter qualquer credibilidade, se a oposição irá aderir e até se ele irá de fato acontecer. A credibilidade do diálogo, diz o repórter da BBC, dependerá do número de oposicionistas que decidirem participar do processo.

A Síria vem impedindo que jornalistas internacionais entrem no país, o que vem fazendo com que muitos órgãos de imprensa recorram a imagens de protestos contra o regime e de violência policial contra civis geradas por jornalistas cidadãos sírios.

Organizadores de protestos contra o governo criaram há dois dias o slogan Sexta-feira sem Diálogo, que foi usado em manifestações.

De acordo com manifestantes, centenas de milhares de pessoas participaram na sexta-feira de protestos na cidade de Hama, na região central do país, a despeito de tentativas das forças de segurança de conter as manifestações.

A repressão aos protestos fez ao menos 15 mortos em toda a Síria. Entre eles, seis pessoas em um subúrbio de Damasco.

*Com BBC e AP

    Leia tudo sobre: síriaprotestosrevoltamundo árabebashar al-assad

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG