Síria exige "garantias" da oposição para cessar-fogo

Declaração foi feita dois dias antes do prazo para o início de um cessar-fogo negociado pela ONU

BBC Brasil |

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O governo sírio afirmou neste domingo (8) que quer "garantias por escrito" da oposição antes de retirar suas tropas de zonas de conflito no país.

A declaração divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores foi feita dois dias antes do prazo para o início de um cessar-fogo negociado pela ONU para interromper a onda de violência.

Segundo o ministério, o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, não havia ainda apresentado "garantias por escrito sobre a aceitação pelos grupos terroristas da interrupção de toda a violência".

Apesar da proximidade do possível cessar-fogo, a violência no país parece estar se intensificando nos últimos dias. No sábado, ao menos 160 pessoas teriam sido mortas, segundo grupos de ativistas da oposição síria.

Vídeos postados na internet pelos grupos opositores mostram corpos empilhados em um subúrbio da cidade de Hama. As novas ofensivas do governo teriam ocorrido também nas cidades de Idlib e Aleppo, no norte do país.

Plano em dúvida

De acordo com o plano de seis pontos apresentado por Kofi Annan e que recebeu a aprovação da ONU na semana passada, todos os envolvidos no conflito sírio concordariam em interromper a violência armada no dia 10 de abril, com um cessar-fogo completo até o dia 12 de abril.

Mas o Ministério das Relações Exteriores afirmou no domingo que os relatos de que o governo sírio retiraria suas tropas das cidades e dos subúrbios até a terça-feira é "uma explicação errada".

A declaração síria afirma ainda que Annan "também não submeteu garantias por escrito de que os governos do Catar, da Arábia Saudita e da Turquia interrompam o financiamento de grupos terroristas".

O governo sírio vem acusando os grupos que lutam pela derrubada do regime do presidente Bashar al-Assad de serem organizações terroristas financiadas com a ajuda de países estrangeiros.

As autoridades sírias exigiriam dos grupos de oposição que interrompam suas hostilidades, entreguem suas armas e permitam que o Estado restaure sua autoridade em todo o país.

Segundo analistas, o governo parece querer uma rendição completa da oposição em vez de aceitar um acordo balanceado de trégua seguido de negociações.

O impasse deixa o cronograma e a própria essência do plano de Annan em dúvida.

Uma equipe de enviados da ONU está em Damasco para negociar a chegada de observadores internacionais, que supervisionariam o processo de cessar-fogo. Annan diz que caso as negociações sejam bem-sucedidas, uma equipe de 200 a 250 monitores pode ser despachada para a Síria.

A ONU estima que 9.000 pessoas já morreram desde março do ano passado, quando começou a insurgência contra o regime de Al-Assad.

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