Síria enfrenta mais uma onda de protestos

Uma delegacia de polícia e um edifício foram incendiados por manifestantes, que protestam durante os funerais dos mortos em choque

iG São Paulo |

Durante funeral de um cidadão sírio morto em protestos contra o governo, milhares de pessoas queimaram, neste sábado, um edifício do Partido Baath, da situação, e uma delegacia de polícia, na localidade de Tafas, no sul do país. Em uma tentativa de apaziguar os reformistas, o governo libertou 260 prisioneiros, a maioria islamitas. Os protestos ocorrem no dia seguinte da morte de 20 pessoas, segundo o canal Al Jazeera , na localidade sulina de Sanamein quando a Polícia reprimiu a tiros uma manifestação da oposição. Mesquitas em Deraa propagaram os funerais dos "mártires" mortos em confronto. Centenas se juntaram na praça central para gritar por liberdade.

AP
Manifestantes pedem a saída do presidente sírio, Bashar al-Assad
Em Tafas, os participantes da procissão de funeral de Kamal Baradan, morto na sexta-feira em Deraa, atearam fogo ao edifício do Partido Baath e a uma delegacia de polícia, disseram moradores.
Três jovens sem camisa subiram nos escombros de uma estátua do falecido presidente Hafez al-Assad, derrubada pelos manifestantes na sexta-feira (25), em uma cena que lembrou a queda da estátua de Saddam Hussein, no Iraque, em 2003, por tropas norte-americanas.

Conforme relatos de testemunhas os três manifestantes tinham cartazes com as inscrições "as pessoas querem a queda do regime", refrão ouvido em revoltas em todo o mundo árabe, na Tunísia, passando pelo Egito e pelo Iêmen.

Dezenas de pessoas foram mortas na última semana em Deraa, no sul, segundo relatos de autoridades médicas, e mais de 20 pessoas morreram na sexta, segundo moradores.

Na cidade portuária de Latakia, a margens do Mediterrâneo, segundo a Agência EFE , pelo menos três pessoas morreram neste sábado durante confronto entre forças policiais e uma manifestação pacífica da oposição. As informações foram obtidas pela emissora de televisão "Al Jazeera" de relatos de uma testemunha. A testemunha, identificado só pelo nome de Rabee, disse por telefone que os disparos foram feitos "arbitrariamente" por forças policiais e civis que estavam atrás dos agentes de segurança.

Protestos

Há 11 anos no poder, , enfrenta sua maior crise. A ofensiva contra manifestantes na sexta-feira aumentou o número de vítimas e a estimativa, feita por grupos de defesa dos direitos humanos, é de dezenas de mortos.

Há dois meses, tais manifestações eram impensáveis no mais autoritário dos países árabes. As revoltas começaram depois que a polícia prendeu mais de uma dezena de estudantes por fazerem pichações inspiradas por slogans utilizados em outras manifestações pró-democracia em países árabes.

A Anistia Internacional calculou o número de mortos em Deraa na semana passada em pelo menos 55. As lojas reabriram neste sábado, e forças de segurança não podiam ser vistas nas ruas. Houve uma série de condenações internacionais quanto aos disparos contra manifestantes.

Mas analistas disseram que as nações estrangeiras devem ser mais cuidadosas em relação à Síria, que tem uma estreita aliança com o Irã e é ligada ao grupo militante palestino Hamas e ao grupo político e militar libanês Hizbollah.

Fazendo fronteira com Israel, Líbano, Jordânia, Iraque e Turquia, a Síria e seus 22 milhões de habitantes estão situados no coração da área de conflitos do Oriente Médio.

Com EFE e Reuters

    Leia tudo sobre: siriaprotestosmundo árabeBashar al-Assad

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG