Síria diz que matou dez e prendeu quase 500 suspeitos no domingo

Residentes e grupos de defesa dos direitos civis afirmam que, desde sexta-feira, 70 pessoas foram mortas na cidade de Deraa

BBC Brasil |

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A agência de notícias estatal da Síria, Sana, informou que as forças de segurança sírias mataram pelo menos dez pessoas e prenderam 499 suspeitos no domingo na cidade de Deraa, no sul do país. A cidade é um dos principais palcos dos protestos contra o governo que vêm sendo registrados há semanas em várias cidades sírias.

Segundo a Sana, na mesma operação no domingo, dois integrantes das forças de segurança também teriam morrido enquanto buscavam "grupos terroristas".

AFP
Sírios curdos protestam do lado de fora do prédio da ONU em Beirute, capital do Líbano
Testemunhas disseram que dezenas de homens e garotos entre 15 e 40 anos de idade estão sendo detidos na cidade e levados de ônibus, algemados e com capuzes por sobre as cabeças, para um centro de detenção. As operações ocorreram após o Exército ter tomado o controle da Mesquita Omari, foco de protestos em Deraa.

Na semana passada, as autoridades enviaram tanques para conter manifestantes na cidade, onde começaram os protestos contra o regime do presidente Bashar Al-Assad, em março.

Residentes e grupos de defesa dos direitos civis afirmam que, desde sexta-feira, 70 pessoas foram mortas em Deraa.

Prazo

Também nesta segunda-feira, o governo sírio disse que pessoas que cometeram “atos ilegais” têm o prazo até o dia 15 de maio para se entregar, segundo a agência de noticiais AFP.

Manifestações contra o governo voltaram a ocorrer no domingo em várias cidades sírias, como Homs, Rastan e Karbawi. O país não vem permitindo a entrada de jornalistas estrangeiros e há dificuldade para se confirmar de forma independente as informações.

Grupos de defesa dos direitos civis afirmam que 560 pessoas foram mortas desde o início dos protestos, em 15 de março. O governo diz que quase 80 integrantes das forças de segurança foram mortos neste período. 

Reações

Na semana passada, centenas de integrantes do partido governista Baath se desligaram do governo em protesto contra a violência contra os manifestantes.

O governo culpa "forças externas" pelo levante, que é considerado o maior desafio enfrentado até hoje pela família Assad em suas quatro décadas no poder do país.

Na semana passada, os EUA bloquearam os bens de altos integrantes do governo, assim como os de Maher Assad, irmão de Bashar e comandante de uma temida divisão do Exército.

A Síria é considerada um dos mais repressivos países árabes. Os protestos antigovernistas são inspirados nos levantes populares que derrubaram os governos de Tunísia e Egito e deflagraram a crise na Líbia.

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