Síria diz à ONU que só haverá diálogo após fim do 'terrorismo'

Durante encontro com Kofi Annan, presidente sírio diz que negociação não terá sucesso enquanto 'grupos armados espalharem caos'

iG São Paulo |

O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, disse neste sábado ao enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe ao país, Kofi Annan, que não existe possibilidade de diálogo com a oposição enquanto "grupos armados terroristas" estiverem atuando na Síria.

Annan está na Síria como parte de um esforço internacional de diplomacia para pôr fim à crise que começou há quase um ano. De acordo com ativistas, apenas neste sábado, dia em que o enviado visitou o país, a violência deixou mais de 60 mortos.

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AFP
Presidente Bashar al-Assad (dir.) durante encontro com Kofi Annan, enviado conjunto da ONU

Durante a reunião, que durou mais de duas horas, Assad prometeu que a Síria apoiará "qualquer esforço honesto para se achar uma solução".

"A Síria está pronta para fazer com que qualquer esforço honesto para se achar uma solução para os eventos que estamos testemunhando vire um sucesso", disse Assad, segundo a agência estatal de notícias Sana. "Nenhum diálogo político ou atividade política pode dar certo enquanto houver grupos armados terroristas operando e espalhando caos e instabilidade."

Em comunicado, a ONU informou que Annan expressou sua "grave preocupação" em relação à repressão aos protestos e "colocou várias propostas sobre a mesa para pôr fim à violência e às mortes, para dar acesso às agências humanitárias e à Cruz Vermelha, libertar os presos e iniciar um diálogo político inclusivo", afirmou o texto, sem especificar tais medidas.

A televisão estatal síria disse que o encontro entre Annan e Assad aconteceu em uma "atmosfera positiva". Depois, Annan almoçou com o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid ad-Moallem.

Ofensiva em Idlib

Grupos de oposição disseram que novos conflitos e bombardeios foram registrados na cidade de Idlib, próximo à fronteira com a Turquia, neste sábado.

O grupo Observatório Sírio para Direitos Humanos disse que os bombardeios são os mais pesados desde a semana passada, quando um reforço do Exército chegou à região. Os ativistas acreditam que isso pode ser o prenúncio de um novo ataque terrestre, a exemplo do que aconteceu na cidade de Homs .

Um ativista em Idlib disse à agência de notícias Reuters que tanques do governo estão entrando na cidade. A agência AP noticiou que algumas famílias estavam deixando Idlib com seus pertences.

De acordo com o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, a tarefa de Annan em sua viagem é obter o fim imediato da violência, tanto por forças do governo quanto por manifestantes da oposição – que já se manifestaram contra a ideia de se reunir com representantes do regime. Annan deve encontrar-se na noite de sábado com integrantes do Comitê Nacional de Coordenação, grupo formado por opositores. No domingo, ele deve deixar a Síria.

Encontro no Cairo

A visita de Annan coincide com um encontro de ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe, no Cairo, com o chanceler russo, Sergei Lavrov. A Rússia é um dos países que têm vetado resoluções da ONU contra o regime de Assad.

Diante das autoridades árabes, Lavrov buscou defender a posição do país em relação à Síria, dizendo que a intenção é prevenir interferência nos assuntos domésticos de cada nação. “Não estamos protegendo nenhum regime”, insistiu o chanceler. “Estamos protegendo leis internacionais. Não estamos atrás de nenhum prêmio ou interesse geopolítico.”

Lavrov sugeriu que os países do mundo árabe, que vivem uma onda de revoltas populares, devem se preocupar com este tipo de interferência. “Acreditamos que todos devem ser muito cuidados ao lidar com os problemas que seus países estão enfrentando”, afirmou.

Falando depois de Lavrov, o primeiro-ministro do Catar, Hamad Bin Jassem Al Thani, criticou as palavras do chanceler russo. “O governo sírio está cometendo um genocídio”, afirmou.

Após a reunião, Lavrov disse que a Rússia e a Liga Árabe acertaram um plano de cinco pontos para pôr fim à crise na Síria. A iniciativa prevê o fim da violência, a criação de um mecanismo neutro que supervisione o cessar-fogo, a não intervenção estrangeira, o acesso à ajuda humanitária e o apoio à missão de Annan para promover o diálogo.

Com BBC e AP

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