Síria derruba estado de emergência e domina Latakia

Apesar de anunciar a queda do estado de emergência, reforços militares entraram neste domingo em Latakia

iG São Paulo |

As autoridades sírias decidiram neste domingo derrubar o estado de emergência, que restringe as liberdades políticas, vigente desde 1963 e execrado pela população, ao mesmo tempo em que anunciaram um discurso do presidente, Bashar Al Assad.

"O presidente falará com seu povo muito em breve para explicar a situação e esclarecer as reformas que se propõe a adotar no país", indicou assessora do presidente Al Assad, Busaina Shaaban.
Em entrevista à AFP, a assessora Busaina Shaaban, revelou que "a decisão de derrubar a lei do estado de emergência já foi tomada, mas não sei quando será aplicada".

AP
Cartaz com a cara do Presidente Al-Assad destruído pelos manifestantes
O estado de emergência vigora na Síria há quase 48 anos e confere poderes às forças de segurança para deter quaisquer “suspeitos ou pessoas que ameacem a segurança”. O estado de emergência, instaurado desde que o partido Baas (do Presidente Al-Assad) está no poder, permite também controlar os meios de comunicação social e restringir a liberdade de reunião e associação.

Rami Abdelrahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSHD), expressou satisfação ao saber do fim do estado de emergência, e estimou que pelo menos 2.000 pessoas devem ser libertadas das prisões assim que a decisão entrar em vigor. "Todas as pessoas condenadas pela Alta Corte de Segurança do Estado devem recuperar a liberdade, já que este tribunal de exceção foi criado em função da lei", explicou.

Latakia


Apesar de anunciar a queda do estado de emergência, reforços militares entraram neste domingo em Latakia, importante cidade costeira no noroeste da Síria, com o objetivo de conter os franco-atiradores entrincheirados nos telhados, que desde sexta-feira já mataram quatro pessoas, entre elas dois policiais, e feriram 150.

"O exército entrou em Latakia, a 250 km de Damasco, para pôr fim à destruição e os assassinatos", afirmou neste domingo o Al Watan, periódico sírio pró-governo.

No sábado, dois oficiais das forças de segurança foram mortos e 70 militares ficaram feridos em confrontos na cidade. "Dezenas de veículos e lojas foram queimados, o que levou o exército a intervir para impor a ordem", escreveu o Al Watan.

No sábado, Busaina Shaaban acusou perante a imprensa "alguns refugiados palestinos do campo de Ramel, perto de Latakia, que querem criar a fitna (discórdia religiosa) ao disparar contra as forças de segurança e os manifestantes", para aumentar a tensão entre eles.

O secretário-geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina-Comando Geral (FLP-CG) desmentiu "qualquer envolvimento de palestinos do campo de Ramel nos acontecimentos do sábado".

Latakia é uma cidade de maioria sunita, pórém com muitos residentes xiitas da seita alauíta que  mudaram para a cidade vindos das montanhas vizinhas, nas últimas décadas.

Ofensiva em Deera

O exército da Síria reforçou sua presença na cidade de Deraa, no sul do país, ponto focal dos protestos sangrentos que vêm ocorrendo no país, e soldados foram às ruas em um porto do norte onde as tensões estão crescendo, revelaram moradores no domingo. Segundo fontes oficiais, 12 pessoas morreram nos últimos dois dias no país.

Até agora, o exército vem exercendo papel apenas secundário em relação à polícia e às forças especiais enviadas à cidade para tentar sufocar mais de uma semana de protestos, durante a qual pelo menos 55 pessoas foram mortas em Deraa e redondezas, conforme relatos de um grupo de defesa dos direitos humanos.

Com AFP e Reuters

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