Síria denuncia 'ataque terrorista' em meio a choques em subúrbios da capital

Mídia estatal diz que rebeldes atacaram gasoduto, enquanto militares combatem desertores nos arredores de Damasco

iG São Paulo |

A imprensa estatal da Síria afirmou nesta segunda-feira que um “um grupo de terroristas armados” explodiu um gasoduto, enquanto ativistas denunciaram a continuidade de uma brutal operação do Exército nos subúrbios de Damasco, que começou no domingo.

De acordo com a agência oficial Sana, a explosão aconteceu em Tal Hosh, uma cidade perto da fronteira com o Líbano. O gasoduto que teria sido alvo de ataque transporta gás da província de Homs, no centro do país, até a região da fronteira.

Leia também: ONU pede a Assad que interrompa 'banho de sangue' na Síria

AP
Fumaça é vista em Erbeen, subúrbio de Damasco, a capital da Síria (29/01)

Vários ataques a gasodutos foram denunciados pelo governo sírio desde o início da revolta popular contra o presidente sírio, Bashar Al-Assad, que começou em março. Ativistas, porém, acusam o governo de fabricar tais ataques para provocar temor na população em relação ao terrorismo.

No domingo, dezenas de tanques militares invadiram áreas rebeldes da capital, Damasco, atacando bairros que teriam sido controlados por desertores, reunidos no grupo Exército de Libertação da Síria. De acordo com testemunhas ouvidas pela BBC, o Exército teria retomado o controle da maior parte dos locais, mas combates ainda estariam acontecendo em Saqba.

Ativistas estimam que mais de 60 mortes tenham acontecido em todo o país no fim de semana. A ofensiva de domingo sugere que o regime está preocupado com a possibilidade de os desertores apertarem o cerco em Damasco.

Nas duas últimas semanas, a ação dos dissidentes militares se tornou mais visível na capital, inclusive com a instalação de postos de controle em alguns bairros.

Nesta segunda-feira, a Liga Síria dos Direitos Humanos (LSDH) divulgou um comunicado dizendo que o fundador do Exército da Libertação da Síria, coronel Hussein Harmush, foi executado na semana passada pelas forças de segurança.

"Depois de um julgamento, uma brigada dos serviços secretos executou o oficial Hussein Harmush", indicou a LSDH. Não houve confirmação oficial até agora.

‘Banho de Sangue’

No domingo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, que Assad interrompa "imediatamente o banho de sangue" no país. Mais de 5 mil morreram na repressão à revolta, segundo a ONU.

"O presidente Assad, como líder da Síria, tem a mais importante responsabilidade de resolver essa situação, se engajando em um diálogo político. Em primeiro lugar, e sobretudo, ele deve parar, imediatamente, o banho de sangue", disse.

Ban fez as declarações em Adis Adeba, na Etiópia, onde participou da inauguração da sede da União African, um dia após a Liga Árabe anunciar a suspensão de sua missão de observadores no país, por causa da escalada da violência.

O secretário-geral da Liga, o general Nabil el-Arabi, justificou a decisão dizendo que "a deterioração crítica da situação na Síria e o contínuo uso da violência" determinaram o fim imediato da missão.

A missão da Liga Árabe chegou à Síria em dezembro e levou à elaboração de um plano de ação, que pede a renúncia do presidente Assad e a formação de um governo de unidade nacional com participação da atual oposição. O governo sírio rejeitou a proposta .

Com AP, BBC e AFP

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