Síria: Conselho de Segurança apela para entrada de chefe de ajuda humanitária

Rússia e China, que anteriormente vetaram duas resoluções, respaldaram pedido; vídeos mostram supostos enterros de jornalistas em Homs

iG São Paulo |

O Conselho de Segurança da ONU fez um apelo, nesta quinta-feira, às autoridades sírias para que permitam a entrada da chefe de ajuda humanitária Valerie Amos.

Rússia e China, que anteriormente vetaram duas resoluções do órgão contra a Síria, tabém deram respaldo ao apelo e pediram para a Síria permitir a entrada de Amos no país.

AP
Fotos de 4 de fevereiro mostra enterro de vítimas da violência na Síria

Os 15 países do conselho também afirmaram em um comunicado, aprovado por unanimidade, que "deploram" a deterioração rápida da situação humanitária no país, onde a repressão do governo aos manifestantes pró-democracia deixou mais de

7,5 mil civis mortos

ao longo de 11 meses, de acordo com a ONU.

Homs: Opositores se retiram de Baba Amr

O anúncio é feito no mesmo dia em que autoridades sírias deram sinal verde para integrantes da Cruz Vermelha entrarem no bairro rebelde de Baba Amr , na cidade de Homs, para prestar ajuda, dando comida e medicamentos, além de retirar feridos do país.

Baba Amr, reduto que vinha sendo o bastião de desertores do Exército sírio foi palco hoje de intensos conflitos e da retirada de opositores, que alegaram uma “retirada tática” frente ao aumento da ofensiva pelas forças leais ao regime do presidente Bashar al-Assad.

Jornalistas

Vídeos divulgados nesta quinta-feira mostram o enterro de dois jornalistas mortos em Homs na última semana. A cerimônia é feita em um cemitério onde teriam morrido durante um ataque, segundo ativistas que postaram o vídeo.

Nos vídeos, um para cada jornalista, um homem diz estar no cemitério em Baba Amr, onde morreram a repórter americana Marie Colvin e o fotógrafo francês Remi Ochlik, na semana passada. Um homem que diz ser o médico Mohammed Ahmed al-Mohammed, diz que ativistas decidiram enterrar os repórteres em 27 de fevereiro porque o bairro ficou sem eletricidade para manter os corpos refrigerados, que estavam começando a se decompor.

O médico elogia o trabalho dos jornalistas, que entraram ilegalmente no país para reportar os protestos contra o governo de Assad. “Marie Colvin foi mártire em Baba Amr porque enviou uma mensagem divina, uma mensagem humanitária”, disse. No outro vídeo, ele lembra que Ochlik estava cumprindo com sua “obrigação humanitária”.

A veracidade dos vídeos, no entanto, não pode ser confirmada de maneira independente, uma vez que o governo da Síria vem restringindo a entrada de jornalistas estrangeiros.

Conflito: Conselho de Direitos Humanos da ONU condena violência

Também nesta quinta, voltaram a circular rumores de que os jornalistas franceses Edith Bouvier e William Daniels teriam saído da Síria.

Ferida gravemente na perna no atentado que matou Colvin e Ochlik, Bouvier fez um apelo em vídeo para que pudesse ser retirada de Homs.

Na terça-feira, o fotógrafo britânico Paul Conroy conseguiu deixar o território sírio em direção ao Líbano. O mesmo aconteceu com o jornalista espanhol Javier Espinosa na quarta-feira.

*Com AP

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