Síria condena sanções dos EUA contra regime de Assad

Autoridade diz que punição, que congela bens de autoridades sírias e iranianas, não 'afetará a postura' do país perante protestos

iG São Paulo |

AP
Foto de 30/04/2011 mostra presidente sírio, Bashar Assad, durante discurso ao Parlamento, em Damasco
A Síria condenou nesta quinta-feira as sanções adotadas pelos EUA contra o regime do presidente Bashar al-Assad, afirmando que "não afetarão a postura síria", segundo uma fonte oficial citada pela televisão estatal. "A Síria condena as medidas americanas tomadas contra Bashar al-Assad e várias autoridades sírias sob o pretexto dos fatos atuais", afirmou a fonte.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira a imposição de sanções contra o presidente sírio e outros seis altos cargos do governo como medida de pressão para que detenham a repressão contra os manifestantes que exigem mais democracia e a renúncia de Assad.

As sanções, que marcam a primeira vez em que Washington penaliza diretamente o presidente sírio por ações de suas forças de segurança, foram impostas pelos abusos contra os direitos humanos durante a brutal repressão aos protestos.

A fonte manifestou que as medidas são contra o direito do povo sírio e reiterou que o governo de Assad não mudará de posição em referência à atuação da polícia para reprimir os levantes populares que, segundo as autoridades, são incitados por grupos armados terroristas.

O alto cargo do governo disse que as sanções americanas são um elo a mais na cadeia de castigos das distintas administrações americanas contra os sírios e acrescentou que, em última instância, estão a serviço dos interesses israelenses.

A televisão síria citou como exemplos de "castigos" o fato de a Síria figurar na lista de Estados que subvencionam o terrorismo por sua posição propícia à "resistência", em referência a seu apoio à organização palestina Hamas, considerada terrorista pelos EUA, e o grupo libanês Hezbollah.

A Síria acusou os EUA de "aplicar a política de dois pesos e duas medidas" ao condenar as vítimas dos protestos cidadãos na Síria e ao mesmo tempo ser responsável "pela morte de dezenas de civis, entre eles crianças e mulheres", no Afeganistão, Paquistão, Iraque e Líbia.

Efeito das sanções

As sanções anunciadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA congela os bens das autoridades sírias nos Estados Unidos ou em jurisdições americanas e, em geral, proíbe que pessoas físicas e jurídicas americanas tenham contato com elas.

Além de Assad e das outras seis autoridades sírias, as sanções têm como alvo os oficiais iranianos de alto escalão Qasem Soleimani e Mohsen Chizari, que teriam dado apoio logístico e treinamento à inteligência síria, de acordo com uma ordem dada pela Casa Branca.

O vice-presidente sírio, Farouq al-Shara, o primeiro-ministro Adel Safar, o ministro do Interior Mohammad Ibrahim al-Shaar, o ministro da Defesa Ali Habib, assim como Abdul Fatah Qudsiya, o chefe da Inteligência militar síria, e Mohammed Dib Zaitoun, diretor do órgão de segurança político, também estão entre os alvos. As sanções foram impostas um dia antes de o líder dos EUA fazer um grande discurso nesta quinta-feira sobre os levantes em todo o mundo árabe com uma importante menção à Síria.

Erros

A punição foi tomada no mesmo dia em que Assad admitiu que as forças de segurança do país "cometeram alguns erros" ao lidar com os protestos populares que seu governo enfrenta desde março. Assad, que está no poder há 11 anos, sucedeu ao seu pai, Hafez Al-Assad, que governou a Síria por 30 anos.

Os comentários de Assad apareceram no meio de uma reportagem do jornal sírio Al-Watan, cujo assunto principal era um encontro entre o presidente e chefes tribais.

Na sexta-feira, o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas disse que o número de mortos na Síria pode chegar a 850 e milhares de manifestantes têm sido presos durante a repressão militar de dois meses.

Segundo a notícia do jornal, Assad afirmou que o problema das forças de segurança era a falta de treinamento para lidar com eventos da dimensão dos protestos populares que vêm ocorrendo. De acordo com o texto, Assad disse que os agentes de segurança receberão o treinamento adequado, e afirmou que a crise no país já foi superada pelo governo.

*Com AP, BBC, AFP e Reuters

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