Síria concorda em estender missão de observadores por um mês

Anúncio é feito após países do Golfo decidirem retirar monitores pedindo que Conselho de Segurança da ONU ajude a pressionar país

iG São Paulo |

AP
Manifestante protesta contra governo da Síria em frente à sede da Liga Árabe no Cairo (22/01)
A Síria concordou em estender o mandato da missão de observadores da Liga Árabe por um mês, anunciou a agência estatal Sana, afirmando que o chanceler Walid Muallem informou o secretário-geral da Liga Árabe sobre a decisão.

Com a extensão, a missão manterá seus trabalhos no país árabe, que é palco de um levante popular há dez meses, até 23 de fevereiro. Ela começou a atuar em 26 de dezembro para verificar o respeito de Damasco a um plano para pôr fim ao banho de sangue na Síria.

A decisão síria de concordar com a extensão é tomada depois de o governo rejeitar um novo plano da Liga Árabe que pede que o presidente Bashar al-Assad renuncie e transfira o poder para seu vice depois da formação de um governo de unidade nacional. O plano pede negociações entre o governo e a oposição dentro de duas semanas e a formação de um novo governo dentro de dois meses. Depois se seguiriam um novo conselho constitucional, assim como eleições parlamentares e presidenciais.

O anúncio favorável à extensão aconteceu horas depois de o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) ter anunciado que retiraria seus monitores e depois de Ahmed Marai, autoridade da Liga Árabe no Cairo, ter dito à rede americana CNN que a organização de 22 membros suspenderia a missão se Damasco falhasse em aceitar a extensão, aprovada no domingo .

Leia também: Países do Golfo decidem retirar observadores da Síria

A missão, porém, perdeu grande parte de seu poder depois do bloco que inclui Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Omã decidiram retirar seus monitores. A decisão do reino saudita foi tomada no domingo , enquanto os outros cinco anunciaram essa medida nesta terça-feira.

"A decisão foi tomada depois de um monitoramente cauteloso dos eventos na Síria e da convicção de que o banho de sangue e o assassinato de pessoas inocentes continuam no país", disse o CCG em um comunicado.

De acordo com Marai, 55 monitores do CCG, responsável pelo acordo de transição de poder no Iêmen e pelo envio de tropas durante um levante popular no Bahrein, foram retirados da missão, deixando-a com cerca de 110 em campo.

O CCG pediu que os países árabes pressionem a Síria para que implemente as decisões da Liga Árabe e também conclamou os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, França, Reino Unido, Rússia e China - a "tomar todas as medidas" para forçar a Síria a apoiar o novo plano da Liga Árabe.

A perspectiva de envolvimento da ONU estimulou temores na Síria de uma intervenção internacional, apesar de a Rússia ser firmemente contrária a punições contra seu aliado de longa data.

A ONU estima que a repressão deixou mais de 5,4 mil mortos desde o início do levante em março, inspirado pela Primavera Árabe , onda de mobilizações populares que varreram o mundo árabe. O conflito se tornou mais violento em meses recentes, à medida que desertores e alguns manifestantes recorreram às armas para combater as forças do regime.

*Com AP e BBC

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