Síria autoriza Cruz Vermelha a visitar prisão pela primeira vez

Os delegados da organização poderão visitar os prisioneiros após uma autorização do Ministério do Interior sírio

iG São Paulo |

As autoridades da Síria autorizaram nesta segunda-feira a Cruz Vermelha Internacional (CICV) a visitar pela primeira vez a prisão de Damasco, localizada no subúrbio de Adra, segundo um comunicado da organização.

Reuters
O presidente da Síria, Bashar al-Assad, se encontrou com o presidente da Cruz Vermelha Internacional, Jakob Kellenberger, em Damasco

De acordo com o texto, as visitas dos delegados da CICV começaram no dia 4 de setembro e o presidente da organização internacional, Jakob Kellenberger, chegou a se reunir com o presidente Bashar al-Assad.

Os agentes do CICV poderão inicialmente visitar prisioneiros, após uma autorização do Ministério do Interior. "Esperamos logo visitar todos os detidos", afirmou Kellenberger. "Trata-se de um passo importante para as nossas atividades humanitárias na Síria".

As reuniões entre o presidente sírio e Kellenberger trataram sobre os últimos acontecimentos no país desde a última visita do dirigente da Cruz Vermelha, que aconteceu em junho.

Nesta segunda-feira, soldados sírios realizaram novas incursões em aldeias próximas à Turquia, e, durante a ação para impedir que civis cruzem a fronteira para escapar da repressão, o ferreiro Adelsalam Hassoun, 24 anos, foi morto por franco-atiradores do exército. De acordo com o relato de um primo dele, Hassoun havia acabado de cruzar a fronteira turca, vindo do povoado de Ain al Baida, no lado sírio.

"Abdelsalam foi atingido na cabeça. Ele estava entre um grupo de familiares e outros refugiados que saíram correndo através do planalto até a Turquia quando seis veículos blindados de transporte de pessoal estacionaram ao lado de Ain al Baida e começaram a disparar suas metralhadoras aleatoriamente contra a aldeia hoje de manhã", contou Mohammad Hassoun.

Foi a primeira operação militar em grande escala na região da fronteira desde junho, quando milhares de famílias sírias fugiram das suas casas na região por causa da repressão aos protestos contra o presidente Bashar al Assad, no poder há 11 anos.

Além da fronteira com a Turquia, na província de Homs, localizada no centro do país, foram mortas pelo menos duas pessoas, de acordo com os Comitês de Coordenação Local. No entanto, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, as ações do exército deixaram seis mortos no local.

Segundo testemunhos recolhidos pelo observatório, era possível escutar os disparos e explosões em vários bairros da cidade e foram instaladas barreiras adicionais de segurança. Dezenas de pessoas foram detidas, a eletricidade foi cortada e os francoatiradores mobilizados.

Outras regiões do país também estão sendo alvo das forças de segurança sírias. No norte do país, dezenas de pessoas foram detidas na província de Idleb e outras tantas na cidade litorânea de Latakia, enquanto ocorreram manifestações que reuniram milhares de pessoas nessas zonas.

Ao sul, na província de Deraa, os manifestantes exigem a queda do presidente sírio apesar do amplo desdobramento de forças de segurança. Desde o início dos protestos em março, pelo menos 2.035 civis e 477 membros das forças do regime morreram na região.


* Com AP, AFP, EFE, Reuters

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