Síria anuncia acordo com a Liga Árabe sobre conflito

Imprensa estatal afirmou, sem dar detalhes, que chegou a um denominador comum com a liga; anúncio oficial será feito quarta-feira

iG São Paulo |

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O presidente sírio, Bashar al-Assad, durante encontro com o premiê do Catar, Hamad bin Jassim Bin Jabr Al-Thani (26/10)
A Síria anunciou na terça-feira que chegou a um acordo com um comitê da Liga Árabe encarregado de encontrar uma solução para os sete meses de distúrbios no país e de iniciar um diálogo entre o presidente Bashar al-Assad e seus adversários. A imprensa esatal noticiou o acordo, porém sem dar detalhes, e disse que um anúncio oficial seria feito na quarta-feira, na sede da Liga Árabe, no Cairo.

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A Liga Árabe tinha pedido ao governo sírio que acabasse com a violência contra os cidadãos, removesse os tanques e os veículos militares das ruas do país e libertasse prisioneiros políticos, informou um oficial da organização na segunda-feira, segundo a rede CNN.

Os países árabes fizeram a proposta ao ministro das Relações Exteriores sírio, Walid al-Moallem, no domingo, em uma reunião em Doha, no Catar. A Liga Árabe também propõs um diálogo entre oficiais da Síria e membros da oposição no Cairo, começando na quarta-feira. As propostas incluíam um prazo para serem cumpridas.

O primeiro-ministro do Catar, xeique Hamad bin Jassim al Thani, cujo país chefia o comitê ministerial, disse também que Assad precisa empreender reformas sérias para que a Síria evite mais violência.

A delegação da Síria deixou o Catar sem dar nenhuma resposta à Liga Árabe, segundo informou uma agência de notícias do país que recebeu o encontro.

Uma autoridade libanesa ligada ao governo sírio ouvida pela Reuters disse que Damasco também apresentou propostas próprias à Liga Árabe. "As autoridades sírias querem que a oposição deponha as armas, que os Estados árabes parem de financiar o armamento e a oposição, e que tenha fim a campanha midiática contra a Síria", disse o funcionário.

Não ficou claro até que ponto essas exigências, de ambos os lados, constaram no acordo final. Apesar do anúncio, o subsecretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Ben Helli, informou que as autoridades sírias ainda não comunicaram sua resposta ao plano destinado a acabar com a violência na Síria. "O secretário-geral da Liga Árabe ainda não recebeu uma resposta oficial da Síria para o documento entregue pelo comitê ministerial no domingo", declarou Ben Helli no Cairo, sede da Liga. "Segundo minhas informações, a delegação síria dará sua resposta oficial amanhã durante a reunião."

Muitos membros da oposição manifestaram desconfiança com as promessas de diálogo. "Nosso temor é de que esse acordo seja mais uma tentativa de dar ao regime uma nova chance de esmagar essa revolução e matar mais sírios", disse o ativista Omar Idlibi, acrescentando que a oposição ainda aguarda detalhes sobre o acordo.

"Ele ajuda o regime sírio a permanecer no poder, ao passo que as exigências do povo são claras em termos de derrubar o regime e de sua inadequação até mesmo para comandar um período transitório", acrescentou.

Assad disse no domingo a uma TV russa que aceita cooperar com a oposição, mas em outra entrevista alertou às potências ocidentais que elas causarão um "terremoto" no Oriente Médio caso intervenham na Síria, como querem muitos manifestantes .

A Síria, disse Assad falando metaforicamente, "está em uma falha geológica, e se vocês mexerem com o chão, vão causar um terremoto. Vocês querem ver outro Afeganistão, ou dezenas de Afeganistões?"

A ONU diz que mais de 3 mil foram mortos na repressão governamental contra os protestos pró-democracia iniciados em março, que são parte da onda de rebeliões populares que ficou conhecida como Primavera Árabe . O governo diz que os distúrbios são causados por militantes armados e financiados por governos estrangeiros, e que 1,1 mil soldados e policiais já foram mortos.

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Manifestantes protestam contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, adepois das orações de sexta, em Hajar Al Aswad, Damasco (28/10)

No início de outubro, a China e a Rússia vetaram uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenaria a resposta do governo da Síria aos protestos, pedindo um imediato fim da repressão aos opositores e ameaçando o país com sanções.

Enquanto isso, autoridades imbuídas de escrever uma nova Constituição se reuniram pela primeira vez na segunda-feira, segundo a agência de notícias estatal.

Com informações da CNN, AFP e Reuters

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