Violência diminui na Síria, mas ainda ameaça frágil cessar-fogo

Apesar de trégua inicial, opositores reclamam de detenções e governo não retira tropas e tanques; ambos os lados falam em mortes

iG São Paulo |

Reuters
Estudantes a caminho da escola na manhã desta quinta-feira em Damasco
Depois de quase 13 meses de intensos combates e um saldo de mais de 9 mil mortos , segundo estimativas da ONU, a Síria vive um cessar-fogo incerto nesta quinta-feira. Parte do plano pedido pelo enviado especial da Liga Árabe e das Nações Unidas, Kofi Annan, a trégua trouxe um cenário inusual para o cotidiano do país nos últimos meses, sem os habituais bombardeios por forças sírias nas grandes cidades. Ambos os lados, no entanto, relataram mortes.

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O grupo de oposição Conselho Nacional Sírio, que exige a saída do presidente Bashar al-Assad, disse ter havido prisões de opositores em alguns subúrbios da capital Damasco e não está claro se o cessar-fogo durará. Apesar de a quinta-feira ter amanhecido silenciosa, ativistas se dizem preocupados e acreditam que não haverá retirada das tropas, ponto estipulado também pelo plano de Annan. Tropas sírias e tanques ainda estavam posicionados em muitas cidades.

"Foi uma noite sangrenta. Houve bombardeio pesado na cidade de Homs. Mas agora está calmo e não há tiroteios", disse Abu Rami, ativista sírio. Segundo ele, ataques a bairros insurgentes tornaram-se mais intensos após Assad aceitar o cronograma de Annan .

Apesar da trégua inicial, a TV estatal síria disse que uma explosão deixou um militar morto e 24 feridos em uma rodovia perto da cidade de Aleppo. Opositores relataram que três pessoas morreram em Idlib e Hama por ações das forças sírias. O Exército Livre Sírio , que reúne desertores das forças sírias, disse que o regime de Damasco "está enganando" a comunidade internacional com o "aparente" cessar-fogo.

Segundo o porta-voz do governo Jihad Makdissi, a Síria estava "completamente comprometida" com o sucesso do plano de paz de Annan e, como não houve ataques às tropas. “Não há razão para quebrar o cessar-fogo", argumentou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que a situação no momento parece calma, mas o cessar-fogo iniciado nesta quinta-feira é “muito frágil” e pode ser quebrado a qualquer momento. Segundo Ban, a responsabilidade e o ônus são da Síria para manter a promessa de cassar-fogo do governo. Ele disse ainda que o país deve provar ao mundo que anseia por paz.

Ao Conselho de Segurança da ONU, Annan disse que será pedida a rápida implantação da missão da ONU na Síria. O ex-secretário-geral da ONU ressaltou ainda que o mundo recebe com boas-vindas o processo para fim das hostilidades que parece estar em curso no país.

Aliado

Potências ocidentais, apesar de hesitantes em intervir militarmente no país, estão fazendo lobby com a Rússia, um aliado essencial de Assad, para que Moscou abandone o veto a outras medidas da ONU que buscam pressionar pelo fim do regime de Assad, cuja família está no poder há décadas.

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Também nesta quinta-feira, manifestantes saíram às ruas em diferentes pontos do país para protestar pacificamente contra o governo. A permissão para manifestações pacíficas está prevista entre os pontos do plano de paz proposto por Annan.

O porta-voz da rede de ativistas opositores Comitês de Coordenação Local, Hozam Ibrahim, também membro do Conselho Nacional Sírio, explicou que os protestos foram planejados e tiveram início nas universidades das províncias de Deraa, no sul do país, e Deir al-Zor, no leste.

EFE
Foto divulgada por opositores mostra edifício em Homs danificado em ataque das forças sírias (10/4)

*Com Reuters, AP e EFE

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