Segundo lugar para liberais equilibra voto em islâmicos na Tunísia

Partidos liberais fugiram do enfrentamento com os islâmicos, estratégia dos seculares, e surpreenderam na conquista de eleitores

iG São Paulo |

Os partidos liberais da Tunísia, que disputam o segundo lugar nas eleições no país, afirmaram na terça-feira que seu surpreendente sucesso serviu para abrandar os ânimos dos islâmicos vitoriosos, além de ter sido uma lição para seus aliados seculares ao redor da região.

AP
Manifestantes contra o partido islâmico foram às ruas em Tunis. No cartaz, lê-se: "eleições fraudulentas = nova ditadura"

Segundo o New York Times, os liberais interpretaram os resultados preliminares das eleições na Tunísia, primeiras dentre os países que se revoltaram no contexto da Primavera Árabe , como um chamado por mudanças, que não necessariamente precisem seguir preceitos religiosos.

Eles também alertaram que os cidadãos procuraram prejudicar os partidos seculares que, durante as eleições, pareciam querer apenas brigar com os religiosos. A mensagem imediata aos liberais do Egito, Líbia e de outros países da região foi: "Evitem qualquer coisa como sendo uma guerra civil entre seculares e islâmicos", disse ao New York Times Moncef Mazouki, um ativista dos direitos humanos do partido Congresso para a República, partido que ficou logo atrás do islâmico Ennahda .

Apesar da bem-sucedida campanha liberal, a maior surpresa tenha sido a derrocada do partido que, até recentemente, era considerado o principal rival do Ennahda, o Partido Democrata Progressista (PDP). Enquanto os islâmicos firmaram seu compromisso ao estilo ocidental de direitos individuais e pediram colaboração dos seculares, o PDP concluiu sua companha com acusações de que o Ennahda estava manipulando os eleitores em seu favor.

Esses ataques, aparentemente, não agradaram os eleitores, porque os dois partidos liberais que tiveram bons números preferiram exaltar aspectos positivos do Ennahda. O Congresso para a República e o Ettakatol (Fórum Democrático para o Trabalho e Liberdade) estão agora, de acordo com o New York Times, em negociações para formar uma unidade no governo.

No entanto, nem todos os liberais têm a mesma opinião em relação aos islâmicos. Uma centena deles realizou um protesto na terça contra o que eles chamam de impropriedades eleitorais do Ennahda, como compra de votos.

O líder, Rached Ghanoucji, afirmou nesta quarta ser "natural" que o seu partido, o vencedor das eleições segundo os primeiros resultados, comande o próximo governo. "É natural que o partido que obteve a maioria dirija o governo", afirmou em entrevista a uma rádio.

Na terça, os primeiros resultados parciais da votação confirmaram a vantagem do Ennahda, que iniciou negociações para formar um Executivo após a instalação da futura Assembleia Constituinte, nove meses após a queda de Ben Ali .

O Congresso para a República e o Ettakatol disputam o segundo lugar. A Assembleia Constituinte de 217 membros deverá designar nas próximas semanas um presidente interino da República, que formará um governo de transição até as próximas eleições gerais.

O Ennahda lidera os resultados parciais da votação, com 15 das 39 cadeiras em cinco circunscrições, incluindo as grandes cidades de Sousse e Sfax, anunciou Comissão Eleitoral Independente (ISIE).

Com informações da AFP

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