Sarkozy recua e diz não estar claro se jornalista saiu da Síria

Presidente francês corrige declaração prévia de que Edith Bouvier, que foi ferida em Homs na semana passada, estaria no Líbano

iG São Paulo |

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, corrigiu uma declaração prévia de que uma jornalista francesa ferida na Síria havia sido enviada com segurança para o Líbano . O líder da França afirmou nesta terça-feira que foi "impreciso" sobre a questão por causa das complexidades da situação, afirmando que "não está confirmado se Edith Bouvier está hoje em segurança no Líbano".

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Mulher segura sua filha em sacada de prédio danificado por bombardeio em Idlib, na Síria (27/02)

As declarações contraditórias foram feitas depois de o Reino Unido confirmar que o jornalista britânico Paul Conroy , ferido durante um ataque na cidade Homs na semana passada , conseguiu deixar a Síria e no mesmo dia em que a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu um cessar-fogo humanitário imediato no país árabe.

A francesa Edith Bouvier, que trabalha para o francês Le Figaro, quebrou o fêmur e na semana passada fez um apelo ao governo sírio, pedindo um cessar-fogo para que saísse dali para ser operada com urgência.

De acordo com os Comitês Locais de Coordenação, grupo que reúne ativistas da Síria, desertores do Exército ajudaram o repórter fotográfico britânico a deixar Homs. O jornalista de 47 anos, que trabalha para o jornal britânico Sunday Times, disse em um vídeo que tinha três ferimentos grandes em uma das pernas.

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Em vídeo, a jornalista francesa Edith Bouvier fez apelo para conseguir deixar a Síria (23/2)
Os dois jornalistas ficaram feridos no mesmo ataque que matou a repórter americana Marie Colvin e o fotógrafo francês, Rèmi Ochlik , cujos corpos ainda estão na Síria. Eles estavam em uma casa usada como sala de imprensa e atacada durante a ofensiva militar em Homs , que começou há cerca de três semanas e deixou centenas de mortos.

Ativistas disseram que a violência continua em várias partes da Síria nesta terça-feira. Forças de segurança bombardearam áreas controladas pela oposição em Hama e Homs, deixando dezenas de vítimas.

Uma divisão blindada de elite, comandada por Maher al-Assad, irmão do presidente Bashar al-Assad, teria chegado a Homs durante a noite. Tanques com as palavras "Quarta Divisão Monstros" se aproximaram do bairro de Baba Amro e fizeram a ação mais violenta desde que a operação começou.

Cessar-fogo humanitário

Diante da continuidade da violência, a alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu um cessar-fogo humanitário imediato. Ela disse ter recebido relatos de que as forças de segurança fazem detenções arbitrárias e deixam civis sem comida, água e remédios.

De acordo com a alta comissária, a situação se deteriora rapidamente no país e a comunidade internacional deve impedir as “incontáveis atrocidades” das forças de segurança sírias. “Precisamos de um cessar-fogo humanitário imediato que acabe com todos os confrontos e bombardeios”, afirmou, durante a reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.

O representante sírio no Conselho, Faysal Khabbaz Hamoui, deixou a sessão após acusar os países-membros de “incitar o sectarismo e oferecer armas à oposição”.

Conflito: ONU tem lista de sírios envolvidos em 'crimes contra a humanidade'

Os membros do Conselho devem aprovar nesta terça-feira uma resolução condenando a “ampla e sistemática violação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais pelas autoridades sírias”.

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O jornalista britânico Paul Conroy, em imagem de vídeo, é tratado em clínica improvisada em Homs, na Síria (22/02)

*Com AP, Reuters e BBC

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