Sarkozy e Cameron dizem que Kadafi poderá ser julgado na Líbia

Em conferência em Paris, líderes defendem que líbios decidam rumo do país, mas pedem que ONU envie missão civil ao país

iG São Paulo |

Líderes da França e do Reino Unido disseram nesta quinta-feira que o coronel Muamar Kadafi poderá ser julgado na Líbia e que sua extradição para uma corte internacional não é obrigatória.

“Cabe aos líbios decidirem como vão julgá-lo, uma vez que o encontrarem”, afirmou o presidente da França, Nicolas Sarkozy, ao término de uma cúpula internacional sobre a Líbia em Paris. O premiê britânico, David Cameron, estava ao seu lado na entrevista coletiva e disse o mesmo.

Reuters
Líderes posam para foto durante conferência sobre a Líbia em Paris, na França

As declarações devem incomodar ativistas de direitos humanos que fizeram apelos para que Kadafi seja entregue ao Tribunal Penal Internacional, em Haia. Os rebeldes líbios já declararam que querem que o líder seja julgado no próprio país.

Durante a conferência em Paris, que reuniu representantes de 60 países, líderes mundiais reforçaram a necessidade de um esforço liderado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para estabilizar a Líbia.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que o Conselho de Segurança da organização tome rapidamente uma decisão sobre envio de uma missão civil. Segundo ele, “dezenas” de países concordam que a ONU deve tomar a liderança na missão de ajudar a nova liderança líbia.

Os líderes também ressaltaram que as operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para “proteger civis” vão continuar até que sejam necessárias.

O grupo também concordou em desbloquear US$ 15 bilhões de dólares em bens do regime líbio que tinham sido bloqueados. “Estamos comprometidos a devolver à Líbia o dinheiro de ontem para a construção do amanhã”, afirmou Sarkozy.

O líder do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes líbios), Mustafa Abdel Jalil, afirmou que a Líbia tem que “fazer a sua parte”. “Temos de garantir a segurança, promover a tolerância e o perdão e respeitar as leis”, disse.

Brasil

O Brasil foi representado na reunião pelo embaixador Cesário Melantonio Neto.

Em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, durante a conferência o Brasil se mostrou “ao lado do povo líbio em suas aspirações” e defendeu um “processo democrático de transição” que transcorra com segurança e respeito aos direito humanos.

O país também conclamou todos os lados do conflito a “depor armas e cessar a violência” e disse que instituições como a ONU, a União Africana e a Liga Árabe devem ser usadas para monitorar o cessar-fogo e elaborar estratégias para o período pós-conflito.

O comunicado diz que o Brasil mantém a mesma posição desde as discussões sobre a adoção da resolução 1973, que autorizou os bombardeios da Otan sobre Líbia. Na época, o Brasil se absteve durante a votação.

Questionado sobre as rixas dentro do Conselho de Segurança durante a aprovação da resolução 1973, Sarkozy lembrou que o Brasil, assim como China, Rússia e Índia, tinham enviado representantes à reunião desta quinta-feira em Paris. "As coisas estão progredindo", disse Sarkozy. "A Líbia precisa do mundo todo."

Prazo

Nesta quinta-feira, o CNT estendeu em uma semana o prazo para que as forças leais a Kadafi se rendam. Na terça-feira, os rebeldes deram um ultimato às forças de Kadafi, dizendo que caso não se rendessem até sábado (2), teriam de enfrentar uma ofensiva militar. Os partidários de Kadafi estão concentrados principalmente na cidade natal do líder, Sirte, que está cercada pela oposição.

Agora, o CNT diz que os chefes tribais terão mais uma semana para fazer a transferência de poder na cidade. ”Sirte não é m objetivo tão estratégico para justificar a precipitação”, declarou o porta-voz dos rebeldes em Benghazi, Mohammed Zawawi. “Queremos dar tempo para fazer com que as negociações avancem. Preferimos forçá-los a se render cortando os serviços de água e energia.”

De acordo com a autoridade do CNT, os líderes tribais já perceberam a sua própria desvantagem em um possível enfrentamento contra os rebeldes, que têm o apoio militar das potências ocidentais, mas ainda precisam convencer as tropas do coronel Kadafi.

Em nova mensagem de áudio, divulgada nesta quinta-feira pela TV síria Arrai, Kadafi declarou que não vai se render e pediu que seus partidários continuem lutando pelo controle da Líbia e armem emboscadas contra “agentes do colonialismo e traidores”.

“Que haja uma longa luta e que a Líbia seja tomada pelas chamas”, disse Kadafi. "Não vamos desistir. Não somos mulheres. Vamos continuar a lutar.”

Com AP e BBC

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