Líder ferido em ataque ao palácio presidencial em junho volta ao país em meio à escalada de violência

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, voltou ao país nesta sexta-feira após mais de três meses de tratamento médico na Arábia Saudita . Saleh, que está no poder há mais de 30 anos, ficou ferido durante um ataque ao palácio presidencial em 3 de junho, parte da onda de protestos populares contra seu regime que começou em janeiro.

Partidários comemoram volta de Saleh ao Iêmen na capital, Sanaa
AFP
Partidários comemoram volta de Saleh ao Iêmen na capital, Sanaa

O retorno de Saleh foi anunciado pela televisão estatal. Saleh requisitou que as distintas forças políticas em conflito cessem a violência para facilitar a possibilidade de um acordo.

Em nota divulgada pela agência de notícias Saba, o líder pediu às forças políticas e militares que parem com o derramamento de sangue, em alusão aos enfrentamentos que ocorreram durante os últimos cinco dias que, segundo a Organização Mundial da Saúde, deixaram 81 mortos.

De acordo com Saleh, a solução para a crise não está nas armas, mas no diálogo e na compreensão, ressaltando que o objetivo é conseguir a estabilidade e a segurança nacional.

A Casa Branca reagiu a seu retornou exigindo que cumpra acordo firmado com o Conselho de Cooperação do Golfo e abandone o poder. O porta-voz Jay Carney condenou o uso da violência no Iêmen e lançou um chamado a Saleh para que abandone o poder e permita que o país árabe "vire a página".

O retorno de Saleh acontece em um momento de escalada de violência em Sanaa.

Desde o último domingo, houve combates entre o Exército e as forças de segurança iemenitas contra militares desertores e partidários da oposição, assim como os enfrentamentos entre tribos rivais.

Analistas acreditam que se Saleh tentar se manter no poder, aumentará a probabilidade de uma guerra no país. Outros acreditam que a Arábia Saudita, potência regional de maior influência sobre o Iêmen, não teria permitido o retorno de Saleh sem exigir um acordo entre ele e a oposição.

Saleh anunciou diversas vezes neste ano que concordaria em deixar o poder, mas voltou atrás em todas as ocasiões. A oposição teme que a última medida tomada pelo presidente, de permitir que seu vice-presidente negocie a transição , seja somente mais uma tentativa de ganhar tempo.

Com BBC, EFE e AFP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.