Rússia reconhece Conselho como autoridade no poder na Líbia

Medida tem o objetivo de aumentar a influência de Moscou sobre o país africano no pós-guerra e proteger interesses petrolíferos

AFP |

A Rússia reconheceu o Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político da rebelião líbia, como "autoridade no poder" na Líbia, anunciou nesta quinta-feira o ministério russo das Relações Exteriores. A medida tem o objetivo de aumentar a influência de Moscou sobre o país africano no pós-guerra e proteger seus interesses petrolíferos.

AFP
Rebelde líbio é visto perto de bloqueio com foto do líder deposto Muamar Kadafi, em possível disfarce, sob o slogan: 'Procurado vivo ou morto'
"A Federação da Rússia reconhece o CNT como autoridade no poder e saúda seu programa de reformas, que prevê a adoção de uma nova Constituição, a organização de eleições e a formação de um governo", afirma um comunicado oficial.

O anúncio foi feito antes do início, em Paris, da conferência de "Amigos da Líbia" , que pretende preparar a era pós-Kadafi, discutindo os rumos políticos e econômicos da Líbia. O emissário especial do Kremlin para África, Mikhail Marguelov, participará no encontro.

Moscou se absteve de vetar, em março, a resolução do Conselho de Segurança da ONU que permitiu uma ação militar internacional na Líbia , mas acusou repetidamente a aliança ocidental de extrapolar seu mandato de proteger os civis ao se aliar aos rebeldes que afinal depuseram o regime de Kadafi.

A Rússia, aliada tradicional da Líbia, recusou-se em julho a reconhecer o CNT como única autoridade do país. O presidente Dmitri Medvedev, no entanto, afirmou na semana passada que o país reconheceria os rebeldes caso eles conseguissem unificar o país.

Alguns membros do CNT sugerem que países que foram críticos à ação da Otan - caso de China, Rússia e Brasil - poderiam ser preteridos nas oportunidades econômicas na Líbia. Mas o representante russo na conferência de Paris, Mikhail Margelov, disse estar confiante de que isso não acontecerá.

"Não acho que o novo governo da Líbia começará a avaliar contratos com a Rússia com base em critérios políticos, em vez de técnicos e econômicos", declarou Margelov à agência de notícias Interfax.

Nesta quinta-feira, o representante do CNT no Reino Unido, Guma al Gamati, disse por telefone à AFP que os contratos na Líbia serão atribuídos "por mérito, não por favoritismo político". "O setor petroleiro será dirigido de uma maneira transparente, e os contratos serão atribuídos por mérito, não por favoritismo político", declarou.

Ajuda econômica e fim de sanções

Também nesta quinta-feira, a União Europeia (UE) suspendeu suas sanções contra 28 "entidades econômicas" líbias para ajudar na recuperação da economia do país, anunciou a chefe da diplomacia europeia, Catherina Ashton.

"Hoje, a UE suspendeu o congelamento dos bens de 28 entidades líbias. Nosso objetivo é entregar recursos ao governo interino e ao povo líbio, e ajudar a economia a funcionar novamente", indicou Ashton em um comunicado.

Na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, anunciou que Paris obteve a autorização para desbloquear 1,5 bilhão de euros de bens líbios e entregá-los ao CNT para que possa "trabalhar" e iniciar a reconstrução da Líbia. Juppé fez as declarações à emissora RTL horas antes do início, em Paris, da conferência internacional de apoio à Líbia.

O chefe da diplomacia francesa acrescentou que a Argélia, que na segunda-feira recebeu membros da família Kadafi em seu território, teve "uma atitude ambígua" durante o conflito líbio e "lamentou" que as autoridades argelinas não reconheçam o CNT.

Segundo a RTL, as autoridades da Argélia responderam imediatamente e afirmaram que estão "dispostas" a reconhecer o CNT quando um governo estiver formado. O chanceler argelino, Murad Medelci, também afirmou que o país nunca considerou conceder asilo a Kadafi.

"A Argélia não tomará partido a favor de Kadafi. Jamais consideramos a hipótese de que ele possa vir bater à nossa porta", afirmou. Medelci está em Paris para a conferência internacional. De acordo com fontes ligados à presidência argelina, o presidente Abdelaziz Bouteflika não respondeu a uma ligação telefônica do coronel líbio, segundo informou o jornal Al-Watan na quinta-feira.

*Com AFP, EFE e Reuters

    Leia tudo sobre: líbiakadafimundo árabetrípolieuaonuotanrússia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG