Rússia envia representante para dialogar com rebeldes líbios

Governo líbio acusa Otan de bombardear emissoras estatais e Parlamento em Trípoli; aliança nega ataques

iG São Paulo |

A Rússia enviou nesta segunda-feira um representante para se encontrar com rebeldes líbios que pedem a saída do líder líbio, Muamar Kadafi.

De acordo com a rede de TV americana CNN, o enviado especial russo para a África, Mikhail Margelov, deve se encontrar com rebeldes do Conselho Nacional de Transição, com sede na cidade de Benghazi, no leste do país.

AFP
Líbio anda em meio a destroços do Congresso Geral do Povo (Parlamento) em Trípoli
A porta-voz do governo russo Varvara Paal indicou também que Margelov não descarta encontrar o líder líbio, com quem não tem  encontro previamente agendado. “Minha tarefa é encontrar com rebeldes líbios. No entanto, não quero descartar ir também para Trípoli”, disse, caso receba um ‘sinal verde’ dado pelo governo líbio para conversar com Kadafi, segundo a agência Interfax.

No mês passado, o presidente russo, Dmitri Medvedev , decidiu abandonar o antigo aliado Muamar Kadafi, e ofereceu mediação para um acordo para o líder líbio deixar o país que ele governou por mais de 40 anos.

A proposta, que representou uma mudança na posição crítica de Moscou em relação aos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra forças de Kadafi no país do norte da África, reflete também a mudança de tom da Rússia em relação ao conflito na Líbia. A decisão foi anunciada por Medvedev no encontro dos líderes do G8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo mais Rússia), em Deauville, na França, depois de uma reunião de 90 minutos com os presidentes Barack Obama (Estados Unidos) e Nicolas Sarkozy (França).

Otan

Nesta segunda-feira também, o Ministério de Informação líbio acusou forças da Otan de bombardear escritórios de rádio e emissoras estatais em Trípoli. A Aliança Atlântica, no entanto, negou os ataques e disse que os ataques haviam atingido um “centro de inteligência”.

Segundo a agência France Press, ataques das forças ocidentais destruíram parte de um complexo no centro de Trípoli onde estava o edifício oficial do Congresso Geral do Povo (Parlamento) líbio, além do escritório do procurador-geral e outros dois prédios apresentados como organizações não-governamentais. Um pequeno hotel situado atrás do complexo teria sido parcialmente atingido pela explosão.

No noroeste do país, rebeldes líbios entraram na cidade de Yafran, expulsando as forças leais a Kadafi. A cidade, situada em uma região montanhosa, estava cercada por forças líbias há mais de um mês, levando à escassez de alimentos, água potável e remédios.

Situada a 100 quilômetros a sudoeste da capital líbia, Yafran fica na região dos Montes Ocidentais, onde a população local - a maioria pertencente à minoria étnica berbere - se uniu ao levante contra Kadafi. Não ficou claro, no entanto, se as forças de Kadafi ainda permanecem ao sul de Yafran.

Sob controle dos rebeldes estão o leste da Líbia, a cidade de Misrata, no oeste, e a cadeia montanhosa próxima à fronteira com a Tunísia. Suas tentativas de avançar sobre a capital vêm sendo bloqueadas pelas forças de Kadafi, mais bem equipadas.

De acordo com o vice-primeiro-ministro líbio, Khaled Kaim, as forças do governo poderiam retomar o território em poder dos rebeldes nos Montes Ocidentais em questão de horas, mas estavam evitando fazê-lo para evitar mortes de civis.

Segundo rebldes líbios, forças de Kadafi bombardearam com foguetes a cidade de Zintan, também localizada em uma região montanhosa, a oeste de Yafran. Os relatos, no entanto, não puderam ser averiguados de forma independente.

*Com Reuters e AFP

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