Brasil se absteve da votação sobre uma medida do Conselho de Segurança da ONU para aplicar sanções contra país árabe

Embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, afirmou que sanções não ajudariam Síria a sair da crise (22/9)
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Embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, afirmou que sanções não ajudariam Síria a sair da crise (22/9)
A Rússia e a China vetaram esta terça-feira uma resolução do Conselho de Segurança da ONU ameaçando a Síria com "medidas dirigidas", caso o líder Bashar al-Assad não ponha fim à repressão mortal a um movimento que pede sua saída do poder.

Os países europeus, que esboçaram a resolução, até utilizaram o termo "medidas dirigidas" em vez de "sanções" para tentar evitar o veto da medida, mas fracassaram.

Nove países votaram a favor, enquanto a Rússia e a China se manifestaram contrárias, neutralizando a resolução, devido ao seu poder de veto, uma vez que são membros permanentes do Conselho. Brasil, África do Sul, Índia e Líbano se abstiveram.

"Todos os esforços foram feitos para produzir uma resposta unânime", declarou o embaixador da França na ONU, Gerard Araud. "Numerosas concessões foram feitas à Rússia, à China e aos países que se abstiveram", acrescentou.

Araud destacou que o veto demonstrou um "desprezo pelos interesses legítimos pelos quais se tem lutado na Síria", desde que os protestos contra o presidente começaram, em meados de março.

O embaixador russo da ONU, Vitaly Churkin, disse ao Conselho após seu voto que a Rússia não apoia o regime Assad ou a violência, mas é contra à resolução, porque ela está "baseada em uma filosofia de confrontação", e ia de encontro a uma saída pacífica da crise.

O representante chinês, Li Bandoug afirmou que seu país estava preocupado com a violência que toma conta da Síria, mas se opôs à proposta, porque "sanções, ou ameaças de sanções, não ajudam a Síria, apenas complicam a sua situação".

De acordo com a ONU, a repressão ao regime de Assad, cuja família está há 41 anos no poder, já deixou 2,7 mil mortos. Esse é o primeiro veto sino-russo desde que os dois países bloquearam sanções contra o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, em julho de 2008.

Com AP e AFP

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