Rússia avisa que bloqueará resolução sobre Síria na ONU

Conselho de Segurança prevê discutir amanhã texto que pede renúncia de Assad e criação de governo de unidade nacional

iG São Paulo |

A Rússia disse nesta segunda-feira que bloqueará um esboço de resolução do Conselho de Segurança da ONU reivindicando a transferência de poder na Síria pelo fato de "deixar aberta a possibilidade de uma intervenção" nas questões internas do país árabes.

Leia também: ONU pede a Assad que interrompa 'banho de sangue' na Síria

AP
Reprodução de vídeo amador de suposto enterro em Damasco, Síria (29/01)
Os EUA, o Reino Unido e a França vêm defendendo um esboço de texto da Liga Árabe, que pede que o presidente Bashar al-Assad entregue o poder a seu vice e permita a criação de um governo de unidade dentro de dois meses. Damasco rejeitou a proposta no dia 23 .

De acordo com a Casa Branca, Assad perdeu o controle do país e "irá embora". Mas o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia afirmou que o texto não "era equilibrado". Em Londres, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu que Moscou reconsidere sua posição.

"A Rússia não pode mais bloquear a ONU e oferecer cobertura para a repressão brutal do regime", disse um porta-voz de Cameron sob condição de anonimato.

Com negociações sobre a resolução previstas para começar na terça-feira, uma autoridade francesa disse que ao menos dez membros do Conselho de Segurança apoiam a medida conclamando Assad a aceitar o plano de paz da Liga Árabe .

Um texto precisa do apoio de nove nações no órgão de 15 membros para ir à votação, mas ainda assim estaria sujeito ao veto de um de seus membros permanentes (EUA, China, Rússia, Reino Unido e França).

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e os chanceleres britânico e francês estão viajando a Nova York para pressionar pelo apoio à medida nas negociações de terça-feira. Em uma declaração, Hillary condenou a escalada de violência do regime, afirmando que o bombardeio contra áreas civis é "brutal".

A Rússia insiste que não apoiará uma resolução que, assim como a da Líbia , poderia abrir caminho para uma intervenção como os bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra o regime de Muamar Kadafi - que foi morto por rebeldes em 20 de outubro em uma ação que contou com o auxílio das forças ocidentais. Em vez disso, a Rússia disse nesta segunda-feira que tenta conseguir negociações em Moscou entre Damasco e a oposição.

Há várias semanas, a ONU estimou que a repressão na Síria deixou mais de 5,4 mil mortos desde o início do levante, em março.

Em meio às discurssões na ONU, os combates na Síria continuam com soldados do governo bombardeando a cidade central de Homs. Também há relatos de uso de disparos de metralhadoras no distrito de Bab Amr.

Segundo ativistas, ao menos 225 disparos de tanques foram feitos no subúrbio da capital, Damasco. Nesta segunda-feira, informaram os Comitês de Coordenação Local, uma rede de grupos antigoverno, 58 pessoas foram mortas no país.

As informações não podem ser confirmadas de forma independente porque as empresas jornalísticas estrangeiras sofrem severas restrições na Síria. Previamente, havia relatos de que o Exército sírio retormou controle de alguns subúrbios de Damasco que recentemente estavam sob o domínio de forças rebeldes.

*Com BBC e AP

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