Rumo a Trípoli, rebeldes entram em choque com forças de Kadafi

Opositores de líder líbio são atacados por terra e ar em várias cidades; em Trípoli, partidários de regime comemoram 'vitórias'

iG São Paulo |

AP
Filho de soldado do Exército segura arma enquanto militares e partidários de Muamar Kadafi se reuniam na Praça Verde, em Trípoli, Líbia
Aviões lançaram ataques aéreos e forças leais a líder Muamar Kadafi entraram em duros choques em terra neste domingo com forças rebeldes que avançam no oeste em direção à capital da Líbia, Trípoli, ao longo da costa mediterrânea do país.

No fim da semana passada, os milicianos da oposição saíram da região meridional líbia, que está sob seu controle, e tem conseguido avançar rumo a Trípoli. No caminho, conseguiram tomar o controle dos dois importantes portos petrolíferos de Brega e Ras Lanouf. Neste domingo, avançavam mais a oeste quando foram atingidos por bombardeios e confrontados com forças terrestres.

Com um bombardeio, as forças pró-Kadafi forçaram o recuo de tropas rebeldes que pretendiam atacar Sirte neste domingo e tinham chegado a Ben Jawad. Por isso, segundo a Associated Press, partidários do líder líbio recapturaram Bin Jawad, localizada a cerca de 160 quilômetros de Sirte, reduto de Kadafi, local que pode provar ser decisivo no campo de batalha.

O levante que começou em 15 de fevereiro, inspirado por rebeliões nos vizinhos Tunísia e Egito , tem se dirigido a uma guerra civil que poderia ser longa, com rebeldes apoiados por unidades desertoras do Exército e armas obtidas em depósitos com o objetivo de derrubar o regime de quase 42 anos de Kadafi.

Ao mesmo tempo, forças pró-Kadafi têm tentado conduzir contraofensivas em Brega e na cidade rebelde de Zawiya, a oeste de Trípoli - onde sangrentas batalhas de rua foram registradas durante o fim de semana. Segundo moradores contatados pela Al-Jazeera, blindados enviados no sábado em reforço ao cerco à cidade estavam dentro da localidade neste domingo.

Os EUA direcionaram forças militares para perto da costa líbia , mas expressaram cautela quanto à imposição de uma zona de exclusão aérea sobre a nação do norte da África para evitar que Kadafi use seus aviões para atacar a população. A ONU impôs sanções , e a produção de petróleo da Líbia foi seriamente atingida pelos tumultos. A turbulência fez com que aumentassem os preços do petróleo nos mercados internacionais.

Em Trípoli, cidade de 2 milhões que está sob maior controle de Kadafi, os residentes foram acordados antes do amanhecer pelo som ensurdecedor de disparos que duraram pelo menos duas horas. A razão para o barulho ainda não está clara, apesar de autoridades líbias terem afirmado se tratar de pessoas celebrando a retomada pelo regime de Ras Lanouf, perto da cidade rebelde de Mirasta, a leste, localizada próxima de Trípoli. Mas, apesar das alegações, repórteres da AP viram os rebeldes em controle de Ras Lanouf na manhã deste domingo.

Em Mirasta, brigadas pró-Kadafi lançaram uma ofensiva terrestre e, segundo o relato de um morador à Al-Jazeera, estão ocorrendo violentos combates. Mirasta é o único enclave em poder dos rebeldes entre a capital e a cidade litorânea de Sirte. Há relatos de que tanques das forças de Kadafi abriram fogo no centro da cidade, que fica a 150 km a leste de Trípoli.  "Os moradores não têm armas. Se a comunidade internacional não atuar rapidamente será uma carnificina", disse uma testemunha.

No início da manhã, milhares de partidários de Kadafi lotaram a praça central de Trípoli para uma marcha segurando bandeiras verdes, disparando para o ar e mostrando cartazes de apoio ao governo. Centenas passaram diantes do campo militar de Bab al-Aziziya, onde Kadafi vive, balançando bandeiras e comemorando. Homens armados vestidos à pasaina estavam perante os portões e também dispararam para o ar. O paradeiro de Kadafi era desconhecido.

Os seguidores saíram às ruas para celebrar supostas vitórias do regime, depois de a televisão estatal líbia anunciar que os rebeldes tinham sido derrotados em Zawiyah, Ras Lanuf, Misrata e Tobruk. A saída em massa de simpatizantes de Kadafi às ruas é uma estratégia habitualmente utilizada pelo governo.

*Com AP, EFE e AFP

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