Riquezas da família Mubarak têm novo foco

Filho mais novo Mubarak, Gamal foi executivo do Bank of America em Londres e era figura importante da elite empresarial do Egito

The New York Times | 15/02/2011 08:05

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Depois que o filho mais novo de Hosni Mubarak, Gamal, deixou seu trabalho como executivo do Bank of America em Londres em meados dos anos 90, ele juntou forças com o maior banco de investimentos do Egito.

Hoje ele tem uma participação significativa em uma empresa de capital privado com interesses em toda a economia egípcia, do petróleo à agricultura passando pelo turismo, segundo registros corporativos e entrevistas.

Foto: Getty Images

Filho mais novo de Mubarak, Gamal estava sendo preparado para ser o próximo presidente do Egito (foto de arquivo)

Durante o governo de quase 30 anos do presidente Hosni Mubarak, ele e sua família não foram extravagantes com as suas riquezas, especialmente pelos padrões de outros líderes do Oriente Médio.

Embora não haja indicação de que Gamal Mubarak ou o banco tenham tido qualquer envolvimento em atividades ilegais, seus investimentos mostram o quão profundamente a família está envolvida na economia do país.

Poucas horas depois da renúncia de Mubarak na sexta-feira passada, oficiais da Suíça ordenaram que todos os bancos do país procurassem – e congelassem – os bens do ex-presidente, de sua família ou de pessoas próximas.

No Egito, os líderes da oposição prometeram pressionar por uma investigação completa das finanças de Mubarak. Rastrear o dinheiro será provavelmente muito difícil, uma vez que os negócios no Egito são amplamente realizados em segredo entre um pequeno grupo de pessoas ligadas a Mubarak.

"Agora vamos abrir todos os arquivos", disse George Ishak, presidente da Associação Nacional para a Mudança, uma coalizão da oposição. "Nós vamos pesquisar tudo, todos eles. As famílias dos ministros, a família do presidente. Todos".

Fortuna

Estimativas da fortuna da família Mubarak variam muito, e existe um boato generalizado no país que diz que eles têm cerca de US$ 70 bilhões. Autoridades americanas dizem que o número é exagerado e colocam a riqueza da família em cerca de US$ 2 bilhões a US $ 3 bilhões.

Gamal Mubarak, que estava sendo preparado para ser o próximo presidente do país, e seu irmão mais velho, Ala'a, eram considerados figuras importantes da elite empresarial.

Os negócios de private equity de Gamal Mubarak aconteceram através de seus vínculos com o EFG-Hermes, o maior banco de investimentos do Egito. O EFG-Hermes, que listou ativos de US$ 8 bilhões em sua declaração financeira de 2010, foi fundamental no programa de privatização do Egito, em que as empresas estatais foram vendidas a empresários com ligações políticas.

Um porta-voz da EFG-Hermes disse em um comunicado que o banco "não recebeu privilégios especiais por parte do governo egípcio e sempre adotou práticas legais e transparentes". "A corrupção da família Mubarak não era roubar do orçamento do governo, era transformar a capital político em capital privado", observou Samer Soliman, um professor de economia política na Universidade Americana do Cairo.

*Por Neil Macfarquhar, David Rohde e Aram Roston

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