Conselho de Segurança discute hoje texto que pede renúncia de Assad e criação de governo de unidade nacional

O vice-chanceler russo, Gennady Gatilov, alertou nesta terça-feira que um esboço de resolução da ONU que reivindica a renúncia do presidente sírio, Bashar al-Assad, é um "caminho para a guerra civil". A advertência foi feita enquanto o Conselho de Segurança se preparava para discutir o texto, que tem o apoio do Ocidente e de algumas nações árabes, e enquanto soldados sírios reprimiam bolsões de resistência de desertores nos arredores de Damasco.

Tanque militar passa por rua de Rastan, cidade na províncis de Homs, no centro da Síria (30/01)
AP
Tanque militar passa por rua de Rastan, cidade na províncis de Homs, no centro da Síria (30/01)
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Na segunda-feira, a Rússia deixou claro que pretende vetar a resolução . "O esboço de resolução ocidental sobre a Síria no Conselho de Segurança não leva à busca de um acordo", escreveu Gatilov no microblog Twitter. "Pressionar por essa resolução é um caminho para a guerra civil."

A Rússia tem sido um dos aliados mais fortes de Assad enquanto ele tenta pôr fim a um levante popular que começou há quase 11 meses. Em outubro, Moscou vetou juntamente com a China a primeira tentativa do conselho de condenar a repressão síria e vem mostrando pouca disposição de levantar sua oposição.

A Rússia insiste que não apoiará uma resolução que, assim como a da Líbia , poderia abrir caminho para uma intervenção como os bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra o regime de Muamar Kadafi - que foi morto por rebeldes em 20 de outubro em uma ação que contou com o auxílio das forças ocidentais.

Há várias semanas, a ONU estimou que a repressão na Síria deixou mais de 5,4 mil mortos desde o início do levante, em março. O banho de sangue aumentou na segunda-feira, enquanto forças do regime retomaram o controle de subúrbios no leste da capital depois que os desertores o ocuparam por um breve período.

O número de mortos na ofensiva de segunda-feira chegou a cem , tornando esse um dos dias mais sangrentos desde março, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos e os Comitês de Organização Local, um grupo de oposição.

Enquanto a violência continua no país, nações ocidentais e árabes aumentaram a pressão sobre a Rússia para superar sua oposição ao esboço de resolução, que pede que Assad pare a repressão e implemente um plano de paz da Liga Árabe que prevê a transferência de poder para o vice-presidente e criação de um governo de unidade para abrir caminho para eleições. O texto também descarta o suo de forças estrangeiras no país.

Se Assad fracassar em cumprir as determinações da resolução num período de 15 dias, o conselho consideraria "medidas adicionais", um referência a uma medida possível para impor sanções econômicas ou outro tipo de punição.

O chanceler francês, Alain Juppé, descartou a intervenção militar, afirmando que "as coisas são muito diferentes do que aconteceu na Líbia. Por exemplo, na Síria há comunidade divididas, e qualquer ação externa poderia levar a uma guerra civil."

Na segunda-feira, uma autoridade francesa disse que ao menos dez membros do Conselho de Segurança apoiam a medida conclamando Assad a aceitar o plano de paz da Liga Árabe. Um texto precisa do apoio de nove nações no órgão de 15 membros para ir à votação, mas ainda assim estaria sujeito ao veto de um de seus membros permanentes (EUA, China, Rússia, Reino Unido e França).

*Com AP

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