Forças de Segurança abrem fogo contra manifestantes em Homs e Hama, deixando dezenas de feridos

Reprodução de vídeo baixado do YouTube mostra sírios protestando em  Kofr Bel
AFP
Reprodução de vídeo baixado do YouTube mostra sírios protestando em Kofr Bel
Forças de segurança da Síria abriram fogo contra manifestantes nesta sexta-feira, deixando pelo menos 21 mortos e vários outros gravemente feridos enquanto milhares participavam de manifestações em todo o país reivindicando o fim do regime do presidente Bashar al-Assad, disseram testemunhas e ativistas.

A condenação internacional vem aumentando enquanto o levante sírio entra em sua sétima semana sem sinais de quando chegará ao fim.

Nesta sexta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que a Síria concordou em permitir que equipes da organização entrem no país para verificar a situação humanitária local. Além disso, a União Europeia anunciou ter alcançado um acordo para impor sanções a membros do regime. As punições devem ser adotadas formalmente no início da próxima semana.

A repressão das forças de segurança foi feita durante protestos em Homs, a 160 km ao norte de Damasco, e Hama, segundo fontes dos direitos humanos. De acordo com o ativista Ammar Qurabi, "seis mortes (foram) confirmadas em Hama e 15 em Homs", disse Qurabi à Reuters, diretor da Organização Nacional para Direitos Humanos na Síria, por telefone do Egito. Citando uma fonte não identificada, a agência Associated Press afirmou que o número de mortos seria 30.

Qurabi também afirmou que os residentes da cidade costeira de Banias temem pelo Exército que, segundo eles, estaria a quatro quilômetros de distância e poderia invadir a cidade.

Além disso, um dos principais opositores do governo, Riad Seif, foi preso em Damasco, informou à AFP o presidente do Observatório de Direitos Humanos sírio, Rami Abdel Rahman. "Ele foi preso depois da oração de sexta-feira, perto da mesquita de Al Hassan", indicou o presidente da organização não-governamental (ONG).

Vários tanques entraram nesta sexta-feira em Homs, a terceira cidade da Síria, ao mesmo tempo em que vários opositores ao regime de Assad se manifestavam em vários lugares do país, desafiando a proibição anunciada na quinta-feira pelo Ministério do Interior.

"Hoje é a sexta-feira do desafio. É uma mensagem a todos os que têm consciência da situação. Não nos mexeremos. Nos sacrificaremos pela liberdade, a dignidade e o orgulho (...)", afirma um texto publicado no site "The Syrian Revolution 2011", criado por jovens militantes.

O Ministério do Interior pediu em um comunicado à população que não participasse de manifestações ou vigílias, para que a "estabilidade e a segurança" retornem e para "ajudar as autoridades a cumprir com sua missão". O ministério também indicou ter "libertado 361 pessoas que se renderam à polícia".

Desde o início dos protestos, em meados do mês passado, morreram na Síria mais de 580 civis e mais de 100 membros do Exército e das forças de segurança, segundo grupos de direitos humanos.

Cruz Vermelha

Uma equipe da Cruz Vermelha formada por 15 membros, entre eles um médico e voluntários de primeiros socorros, conseguiu entrar nesta quinta-feira na cidade síria de Deraa (sul), que tinha sido bloqueada pelo Exército do país desde 25 de abril, segundo anunciou o organismo humanitário.

Trata-se de uma equipe conjunta do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), do Crescente Vermelho sírio e da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, que chegou com dois caminhões com 32 metros cúbicos de água potável e outros dois caminhões carregados de pacotes com alimentos, leite e material médico.

"Nossa prioridade é ajudar o povo de Deraa, porque essa é a cidade que foi mais duramente golpeada pela violência", disse Marianne Gasser, chefe da delegação do CICV em Damasco, após chegar a Deraa. "Nosso principal objetivo agora é proporcionar assistência médica de urgência assim como ajuda alimentar e obter um quadro claro de quais são as necessidades humanitárias da população", acrescentou.

A equipe visitou o Hospital Governamental de Deraa, onde se reuniu com o pessoal médico e com alguns pacientes e onde foi informada de que as principais necessidades são leite infantil e remédios para doenças crônicas.

"Essa breve visita a Deraa é um passo positivo. Voltaremos dentro de alguns dias", disse Marianne. "Esperamos poder entregar mais ajuda a Deraa e a outras cidades", afirmou.

Segundo informaram as autoridades sírias, na quinta-feira o Exército sírio começou a retirar suas unidades de maneira gradual de Deraa, onde entrou em 25 de abril para sufocar os protestos.

*Com AP, EFE e AFP

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