Repressão na Líbia pode constituir crime contra a humanidade, diz ONU

Número de mortos nos conflitos já chega a 300, segundo o governo

EFE |

Dois assessores especiais da ONU advertiram as autoridades líbias nesta terça-feira de que a violenta repressão dos protestos contra o regime de Muammar Kadafi pode constituir um crime contra a humanidade.

"Se forem confirmadas a escala e a natureza destes ataques, podem constituir crimes contra a humanidade, aos quais as autoridades deverão responder", afirmaram em comunicado conjunto o assessor especial do secretário-geral da ONU para a Prevenção de Genocídios, Francis Deng, e o assessor especial para a Responsabilidade de Proteger, Edward Luck.

Os dois expressaram "alarme" pelas denúncias do uso da violência na Líbia e advertiram que o uso de exército, mercenários e aviões para atacar civis é "uma atroz violação dos direitos humanos e do direito internacional".

"Lembramos às autoridades nacionais na Líbia, assim como em outros países que enfrentam protestos populares, que os chefes de Estado e de governo se comprometeram em 2005 a prevenir genocídios, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade", assinalaram.

De acordo com o governo líbio, os mortos pelos distúrbios na Líbia nos últimos dias são 300, dos quais 189 civis e outros 111 membros das forças de segurança, militares e policiais.

Já as organizações de direitos humanos asseguram que o verdadeiro número de vítimas fatais na repressão alcança pelo menos 400 pessoas.

O Conselho de Segurança da ONU condenou a violenta resposta do regime líbio em um "firme" comunicado de imprensa redigido após uma longa jornada de negociações, que incluiu duas reuniões a portas fechadas. O principal órgão de segurança internacional exigiu que Kadafi ponha fim imediato à violenta repressão dos protestos.

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