Repressão contra manifestantes aumenta número de mortos na Síria

Uso de força contra protestos neste sábado e na sexta deixaram ao menos 35 mortos em 24 horas no país

iG São Paulo |

AFP
Imagem de vídeo publicado na internet alega mostrar manifestação em Idleb, na Síria (19/08)
Forças sírias dispararam metralhadoras pesadas em um bairro residencial no centro da cidade de Homs, neste sábado, após protestos contra o presidente Bashar al-Assad, que enfrenta o crescente isolamento mundial por sua repressão à agitação popular, que já dura cinco meses. Segundo ativistas, os disparos deixaram dois mortos e oito feridos.

Moradores disseram que helicópteros militares voaram sobre a cidade durante a madrugada e que os telefones fixos e a energia elétrica foram cortados na sexta-feira, depois de manifestações em que uma multidão acenou com sapatos na mão em sinal de desprezo por Assad. "Bye-bye Bashar. Vejo você em Haia", gritavam os manifestantes, referindo-se ao Tribunal Internacional de Justiça, com sede em Haia, Holanda.

"Queremos vingança contra Maher e Bashar", gritavam outros, referindo-se ao líder sírio e seu irmão - um influente comandante militar acusado por diplomatas e residentes de atacar cidades e reprimir protestos pró-democracia. Ativistas disseram que as forças sírias também mataram dois civis em ataques surpresa na cidade de Rastan, ao norte de Homs, neste sábado.

A União de Coordenação da Revolução, organização de ativistas sírios, disse que um homem foi morto em al-Hirakm, na província de Deraa, quando as forças de segurança dispararam contra um funeral.

Na terceira sexta-feira do Ramadã, a repressão contra as manifestações já havia deixado 31 mortos, segundo informou neste sábado o Observatório Sírio para Direitos Humanos (OSDH). Forças de segurança da Síria atiraram contra milhares de manifestantes que saíram às ruas de várias cidades para protestos contra o governo na sexta-feira, um dia depois de Estados Unidos e Europa pedirem a renúncia do presidente Bashar Al-Assad .

Na sexta-feira, soldados e tanques foram mobilizados em vários locais, apesar de Assad ter garantido ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que todas as operações militares e policiais tinham acabado. Manifestações aconteceram na capital, Damasco, e também em Homs, Deraa, Latakia, Deir el-Zour, entre outras.

Ativistas disseram que mortes também foram registradas durante protestos realizados na noite de quinta-feira em algumas cidades. Um maior número de manifestações está ocorrendo durante a noite, quando há menos soldados nas ruas. Na sexta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Lukashevich, afirmou que o país é contra os pedidos internacionais pela renúncia de Assad e que o líder da Síria precisa de tempo para cumprir suas promessas de reformas.

O texto pede que Assad ponha fim à violência, mas também afirma que a oposição deve “dialogar com as autoridades e se desassociar de extremistas”. “A instabilidade na Síria causaria consequências graves em todo o Oriente Médio”, afirmou o texto. Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que Assad deve renunciar "pelo bem do povo sírio". Segundo o líder americano, Assad está "no caminho" da população da Síria, que é quem vai decidir o futuro do país.

*Com Reuters, AP, AFP e BBC

    Leia tudo sobre: mundo árabesíriamanifestaçõesBashar Al-Assad

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG