Repórteres do 'Estado' e Guardian seguem desaparecidos na Líbia

Correspondentes de jornal britânico e brasileiro estavam no oeste do país e, segundo informações não confirmadas, foram presos

iG São Paulo |

O jornal britânico The Guardian anunciou nesta quinta-feira que realiza grandes esforços para determinar o paradeiro do correspondente Ghait Abdul-Ahad, que durante duas semanas vinha fazendo a cobertura do conflito na Líbia. Abdul-Ahad está no país do norte da África na companhia de Andrei Netto , um dos enviados à Líbia pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Os dois entraram no país pela fronteira com a Tunísia e viajavam juntos com a companhia de um guia líbio. Segundo o Guardian, Abdul-Ahad fez o último contato com o diário no domingo, por meio de uma terceira pessoa, quando estava nos arredores de Zawiya, cidade no oeste do país localizada a 50 quilômetros de Trípilo que vem sendo cenário de duros confrontos nos últimos dias.

Na quarta-feira, O Estado anunciou ter perdido há uma semana todo contato direto com Netto, correspondente do jornal em Paris. Até domingo, recebia informações indiretas de que o repórter estava bem e se encontrava na região de Zawiya. A comunicação – por meio de telefonemas e e-mails – havia sido propositadamente cortada por segurança, afirmavam fontes líbias.

Segundo informações não confirmadas obtidas pelo jornal brasileiro na quarta-feira, os dois jornalistas e o guia teriam sido presos pelo governo. O vice-chanceler da Líbia, Khaled Qaim, disse que a notícia da prisão era “provavelmente correta”. Ele já estava informado sobre o assunto antes de ser contatado pelo jornal e se comprometeu a ajudar a localizar o brasileiro. A informação foi divulgada no dia em que a BBC revelou que uma de suas equipes foi agredida na Líbia .

O Guardian afirmou que mantémo contatos com autoridades do governo líbio em Trípoli e Londres, pedindo que deem urgentemente toda a assistência possível na busca pelos dois repórteres.

O Estado afirmou que o governo brasileiro, a Embaixada da Líbia no Brasil, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a ONU e vários veículos de comunicação do Brasil e do mundo estão colaborando para garantir a integridade física e a segurança de seus profissionais, bem como sua saída imediata e em segurança da Líbia.

De nacionalidade iraquiana, Abdul-Ahad é um correspondente altamente respeitado que colabora com o Guardian desde 2004. Ele passou longos períodos na Somália, Sudão, Iraque e Afeganistão, fazendo a cobertura de pessoas comuns e de seus sofrimentos em períodos de conflito.

Ele ganhou a maioria dos prêmios mais prestigiosos para correspondentes estrangeiros, incluindo o de repórter estrangeiro do ano pela British Press Awards, o prêmio James Cameron e o da Martha Gellhorn.

Correspondente do Estado em Paris desde 2006, Netto participou de importantes coberturas, como o terremoto de L’Áquila, na Itália, o acidente do voo 447 Rio-Paris da Air France e cúpulas do G-20. Gaúcho de Porto Alegre, tem 34 anos e é casado.

Equipe da BBC

Na quarta-feira, as forças de segurança de Kadafi detiveram e espancaram uma equipe da rede britânica BBC que tentava chegar à cidade de Zawiya, no oeste do país. Localizada a 50 quilômetros de Trípoli, a cidade está há dias sob cerco das forças leais a Kadafi que tentam tomar seu controle.

O trio apanhou com socos, joelhadas e coronhadas, foi vendado e submetido a simulações de execução pelo Exército e a polícia secreta líbia. Os três homens foram detidos por 21 horas, mas agora saíram do país depois de sua detenção na segunda-feira.

*Com AFP, Agência Estado, BBC, AP, e Reuters

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