Renúncia de Kadafi não é cogitada para fim de conflito, diz Líbia

Declaração é feita em meio a indicações de que países ocidentais estariam negociando cessar-fogo com autoridades do regime

iG São Paulo |

O chanceler do regime de Muamar Kadafi, Abdelati Obeidi, negou nesta quarta-feira que a renúncia do líder líbio esteja sendo considerada na pauta de negociações para acabar com os cinco meses de conflito, iniciado em manifestações opositoras que reivindicam o fim de seus 42 anos no poder. A afirmação foi feita após uma reunião em Moscou com o chanceler russo, Serguei Lavrov.

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Rebeldes líbios disparam para o ar ao participar do funeral de sete companheiros mortos no dia anterior na batalha pelo controle da cidade de Brega
"A questão da saída de Kadafi não é cogitada", disse Obeidi. "O que estamos discutindo é a iniciativa da União Africana (UA), destinada a pôr fim à guerra e ao derramamento de sangue", afirmou.

O ministro líbio lembrou que a UA propôs um cessar-fogo, o fim dos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e também o início de um diálogo político com a participação de todas as partes em conflito.

"A Líbia acolhe favoravelmente qualquer papel que a Rússia possa desempenhar na solução pacífica do conflito. É preciso encontrar uma solução conveniente para todos os líbios, incluindo a oposição de Benghazi", declarou o chanceler à agência estatal Ria Novosti, referindo-se ao reduto opositor.

A visita do emissário do líder líbio à capital russa ocorre após os Estados Unidos e outros países reconhecerem o Conselho Nacional de Transição (CNT) como o "representante legítimo do povo líbio". Na terça-feira, Lavrov afirmou que a Rússia reconhece os rebeldes como interlocutores, mas não como único poder legítimo na Líbia, criticando o Ocidente por tentar isolar as forças leais ao regime de Trípoli.

A Rússia, que nos últimos meses manteve contatos com Trípoli e com os rebeldes de Benghazi, insiste em acusar as forças da Otan de violar o mandato autorizado pela ONU ao realizar bombardeios no país norte-africano e por manifestar apoio diplomático e logístico aos insurgentes.

A declaração do chanceler líbio também foi feita depois de uma fonte do Departamento de Estado dos EUA ter confirmado que autoridades do governo americano se reuniram com representantes do regime Kadafi com o objetivo de reiterar que a única forma de a Líbia seguir adiante é com a renúncia de Kadafi.

Previamente nesta quarta-feira, O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, afirmou que Kadafi poderia permanecer na Líbia se abandonasse o poder e deixasse a cena política. "Uma das hipóteses que se contemplam é que (Kadafi) viva na Líbia, mas com uma condição, a de que se ponha claramente à margem da política líbia. É o que esperamos antes de ativar o processo político do cessar-fogo", disse à rede de televisão LCI.

Nos últimos dias, a França reconheceu que mantém contatos com responsáveis do regime líbio, embora até agora tenha se negado a falar de negociações e insista que sua mensagem é que o abandono do poder por Kadafi é a condição prévia para um cessar-fogo.

Disputa por cidade petroleira

Na disputa pelo controle da cidade de Brega, centro petrolífero no leste da Líbia, 18 combatentes rebeldes foram mortos e até 150 ficaram feridos em choques com forças leais a Kadafi na terça-feira, disse o médico Sarahat Attah-Alah à Reuters no hospital de Ajdabiya.

Os rebeldes dizem que cercaram Brega, passo necessário para poder avançar em direção a Trípoli, mas combatentes falaram que as forças pró-Kadafi ainda disparam contra eles. Segundo relatos dos rebeldes, há combates pesados perto da cidade ocidental de Misrata, que é um reduto dos insurgentes há algum tempo.

Brega, que dá acesso à maior parte da rede petrolífera do leste da Líbia, já trocou de mãos várias vezes em cinco meses de combates na costa mediterrânea da Líbia. Na terça-feira, rebeldes disseram que cercaram a cidade.

Se ela for capturada, será uma grande vitória de sua campanha para afastar Kadafi do poder. Os combatentes disseram que estavam entrincheirados ao sul e leste de Brega e controlavam o setor residencial leste da cidade. O governo líbio refutou as informações dadas pelos rebeldes, dizendo que seus soldados estão em Brega.

*Com AFP, EFE, BBC e Reuters

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