Reino Unido negocia para libertar britânicos capturados na Líbia

Segundo jornal, oito soldados foram detidos por rebeldes; UE anuncia envio de missão diplomática e papa lamenta violência líbia

iG São Paulo |

Negociações entre autoridades britânicas e graduados líderes opositores ocorrem neste domingo na Líbia para garantir a libertação de oito soldados das forças especiais britânicas detidos no leste do país por forças da oposição, disseram duas fontes à rede de TV americana.

Em uma entrevista a BBC, o secretário da Defesa do Reino Unido, Liam Fox, não confirmou a detenção. "Temos uma pequena equipe diplomática em Benghazi (a segunda maior cidade do país, localizada no leste", disse. "Estamos em contato com elas, e não posso dizer mais nada."

Mas rebeldes líbios confirmaram que têm em seu poder oito militares britânicos, detidos nas imediações de Tobruk onde chegaram em um helicóptero.

Segundo o jornal Sunday Times, os soldados foram capturados no sábado à noite quando se encontravam em uma missão secreta para estabelecer contato com opositores do regime político de Kadafi.

A captura dos oito militares pertencentes ao principal grupo de operações especiais das Forças Armadas do Reino Unido ocorreu quando escoltavam um diplomata britânico que se encontrava em território líbio controlado pelos rebeldes no leste do país norte-africano, de acordo com o jornal.

Os militares foram supostamente levados a Benghazi, que é o maior núcleo urbano tomado pela oposição ao regime.

Por enquanto, os Ministérios de Defesa e Relações Exteriores do Reino Unido não confirmaram nem negaram a informação do "The Sunday Times".

Segundo o jornal, o diplomata tentava fazer contatos com rebeldes antes da chegada de um colega mais veterano ao país, que comandaria a tentativa de estabelecer relações diplomáticas com o movimento opositor.

A intervenção das forças especiais britânicas poderia ter irritado figuras opositoras ao regime porque ninguém os teria convidado para atuar no conflito, segundo fontes líbias citadas pelo The Sunday Times.

Missão diplomática

A alta representante da União Europeia, Catherine Ashton, enviou neste domingo uma equipe de observação à Líbia que analisará a situação no território antes da cúpula extraordinária de líderes europeus convocada para tratar dos últimos acontecimentos no país.

A missão, de caráter técnico, é a primeira a ser enviada desde o início da rebelião, segundo Catherine afirmou em comunicado.

"Decidi enviar essa missão de alto nível para levantar informações em primeira mão e em tempo real, que servirão de base para as discussões anteriores ao Conselho Europeu Extraordinário na sexta-feira de 11 de março.

A equipe de observadores terá como tarefa principal analisar a situação humanitária na Líbia, com a meta de avaliar a necessidade de ajuda internacional adicional.

Catherine agradeceu a colaboração do governo italiano e do ministro das Relações Exteriores do país, Franco Frattini, para iniciar "essa importante missão".

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia se reunirão em 11 de março em Bruxelas para tratar da situação na Líbia e no norte da África, um encontro que foi solicitado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Mensagem do papa

Neste domingo, o papa Bento 16 manifestou uma 'grande preocupação' com as tensões registradas em vários países da África e Ásia, entre eles Paquistão e Líbia, depois da benção do Angelus na Praça de São Pedro.

"Acompanho continuamente e com grande preocupação as tensões que, nesses dias, desenvolvem-se em vários países da África e Ásia", disse Bento 16 no sermão aos fiéis reunidos no Vaticano.

"Rogo ao senhor Jesus que o sacrifício comovente do ministro paquistanês Shahbaz Bhatti desperte nas consciências o valor e o compromisso de respeitar a liberdade religiosa de todos os homens e, assim, promover uma dignidade igual para todos", disse.

AFP
Em declarações neste domingo, papa Bento 16 abordou pela primeira vez a crise na Líbia e lamentou violência no país
Shahbaz Bhatti, católico militante que defendia o fim da pena de morte em caso de blasfêmia e fervoroso defensor da minoria cristã paquistanesa, foi assassinado em 2 de março em Islamabad por criminosos.

O ministro paquistanês para as Minorias Religiosas era o único católico do governo e havia sido ameaçado de morte pelos extremistas islâmicos.

"Meus pensamentos se dirigem em seguida à Líbia, onde recentes combates provocaram muitas mortes e uma crise humanitária crescente", disse o papa.

"A todas as vítimas e aos que se encontram em situações angustiantes, asseguro minha oração e minha proximidade, e invoco a assistência e o socorro para as populações afetadas."

Essa é a primeira reação direta do chefe da Igreja Católica sobre os acontecimentos na Líbia.

***EFE e AFP

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