Rei do Marrocos entrega cargo de premiê a líder de partido islâmico

Líder do Partido Justiça e Desenvolvimento, Abdelilah Benkiran, terá a tarefa de formar o novo governo após os levantes no país

iG São Paulo |

O líder de um partido islâmico que nunca havia participado antes do governo do Marrocos foi escolhido pelo rei Mohammed 6º como o chefe do governo do país nesta terça-feira. O Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD) venceu as eleições nacionais de sexta-feira estabelecidas após os protestos que abalaram o reino no início do ano, como parte dos levantes regionais chamados de Primavera Árabe .

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AP
Rei Mohammed VI (dir.) rcebe Abdelilah Benkiran, secretário-geral do Partido Justiça e Desenvolvimento, para nomeá-lo como chefe de governo

O rei Mohammed 6º recebeu Abdelilah Benkiran, secretário-geral do PJD, na cidade montanhosa de Midelt nesta terça e o nomeu como primeiro-ministro com a tarefa de formar o governo.

Teria sido impensável a apenas um ano atrás que um membro do partido de oposição islâmico chefiaria o governo, mas o movimento popular forçou o rei a realizar reformas na Constituição marroquina e adiantar as eleições.

De acordo com a Constituição alterada, o primeiro-ministro agora é um chefe de governo mais poderoso e deve vir necessariamente do partido que conquistou a maioria dos votos nas eleições. O PJD ficou com 107 dos 395 assentos do Parlamento, quase o dobro do segundo colocado.

O partido é considerado moderado no âmbito dos partidos islâmicos e não se concentrou em questões como o uso do véu islâmico para as mulheres ou a venda de bebidas alcóolicas, em um país que depende do turismo da Europa. Em vez disso, o PJD falou sobre lutar contra a corrupção, reformar o sistema educacional para preparar a população para o mercado de trabalho e combater o desemprego.

Com a queda ou enfraquecimento das ditaduras seculares apoiadas pelo Ocidente, a população no norte da África tem escolhido partidos islâmicos da oposição como uma alternativa ao status quo.

A conquista do PJD segue a vitória do partido islâmico Enahda na Tunísia , em uma eleição que aconteceu há um mês. Também é esperado que os eleitores do Egito deem a maioria para os partidos islâmicos durante uma das partes da votação que teve início na segunda-feira e continua nesta terça.

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Bekirane, que foi eleito chefe do partido em 2008, pertence a uma facção mais conciliadora com a monarquia e reiterou por diversas vezes seu apoio a um rei forte, apesar da preferência de seus colegas por um governo justamente que enfatize o oposto. "O chefe do Estado é o rei e ninguém pode governar sem ele. Se alguém pode fazer isso, certamente não é Abdelilah Bekirane", afirmou no domingo depois de anunciados os resultados da eleição.

Somente 6 milhões de um eleitorado de 21 milhões participaram da votação na sexta-feira que enfrentou muitos boicotes e apatia com um sistema político corrupto.

"O PJD sabe que a situação política no Marrocos é bastante tensa," disse Benkiran no domingo. "Eu prometo um governo forte que dê esperança aos marroquinos."

Ele acrescentou que os ministros serão escolhidos por sua competência e não apenas por afinidades políticas. Benkiran e os dirigentes do PJD, entretanto, não esconderam suas preferências pela Kutla, o bloco de três partidos nacionalistas que somam 117 cadeiras, e que já no domingo se mostraram, após uma reunião, favoráveis a integrar o futuro governo.

Os dois partidos que já manifestaram disposição de migrar à oposição são a Reunião Nacional de Independentes (RNI), grande perdedor destas eleições, e o Partido da Autenticidade e Modernidade, em comunicados públicos feitos entre ontem e esta terça-feira.

Não fica claro até o momento se Benkiran terá o controle dos chamados "ministérios de soberania" - das Relações Exteriores e do Interior -, até agora liderados por ministros nomeados diretamente pelo rei, sem consultas aos partidos.

Com AP e EFE

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