Rei do Marrocos nomeia governo de orientação islâmica

Após eleição que garantiu maioria ao Partido Justiça e Desenvolvimento, rei entrega ministérios importantes aos islâmicos

iG São Paulo |

O rei Mohammed 6º., do Marrocos, entregou nesta terça-feira os Ministérios da Justiça e Relações Exteriores a um partido islâmico moderado que venceu uma eleição em novembro , mas reservou a pasta da Segurança Doméstica a um veterano conservador ligado ao monarca.

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AP
Rei Mohammed 6º posa para foto com novos membros do gabinete

Abdelilah Benkirane, líder do Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD), comandará a primeira coalizão marroquina liderada por políticos islâmicos. Seu partido obteve 27% das vagas parlamentares na votação de 25 de novembro.

À frente do Ministério das Relações Exteriores ficará Saad Eddine Othmani e a de Justiça por Mustafa Ramid, que pertencem ao islamita PJD, enquanto a do Interior será presidido por Mohand Laenser, do Movimento Popular (MP).

O rei antecipou a eleição em quase um ano para tentar esvaziar uma revolta popular semelhante à que derrubou outros governos em 2011 na chamada Primavera Árabe.

O Marrocos conseguiu evitar graves distúrbios, mas agora o novo gabinete precisará agir com rapidez para extirpar as sementes do descontentamento - o que inclui o desemprego de 31% entre os jovens, as amplas disparidades de riquezas e o precário acesso aos serviços públicos.

Benkirane disse que o novo governo está "genuinamente" comprometido com as reformas, e prometeu melhorar a competitividade econômica do país para atrair mais investimentos estrangeiros. Ele deve apresentar ainda neste mês seu programa de governo ao Parlamento.

O PJD fez aliança com dois partidos conservadores próximos da monarquia - o Istiqlal ("independência"), que ficou em segundo lugar, e o Movimento Popular. O pequeno Partido Progresso e Socialismo, de esquerda, também participa.

O novo governo é composto por 30 ministros, dos quais cinco são independentes, 11 pertencem ao PJD, seis ao partido nacionalista Istiqlal (PI), quatro ao MP e outros quatro ao ex-comunista Partido do Progresso e o Socialismo (PPS).

Além disso, o responsável de Assuntos Islâmicos seguirá sendo Ahmed Toufiq (independente), a Secretaria-geral do governo segue nas mãos de Driss Dahak (independente), enquanto Abdul Latif é o vice-ministro da Direção Geral de Defesa.

O Ministério da Economia e Finanças ficará com Nizar Baraka do PI, enquanto o de Agricultura e Pesca com Aziz Ajanuch, quem deixou seu partido para continuar ocupando pasta. O novo governo terá somente uma mulher, Basima Hakaui, do PJD, nomeada ministra da Solidariedade da Mulher e da Família.

Um programa palaciano de reformas propõe reduzir os amplos poderes do rei, dando mais espaço a ocupantes de cargos eletivos - como querem manifestantes que exigem a instituição de uma monarquia constitucional nos moldes britânicos e espanhóis, um Judiciário independente e mais combate à corrupção.

Com Reuters e EFE

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