Oposição boicotou Parlamento do país depois de morte de xiita morto durante protestos e de outro que acompanhava funeral

O rei do Barein, Hamad Bin Issa Al Khalifa, anunciou nesta terça-feira a abertura de uma investigação sobre as mortes de dois manifestantes em confrontos com forças de segurança, durante protestos realizados nos últimos dias no país.

Em um raro pronunciamento nacional pela TV, Al Khalifa ofereceu suas condolências às famílias dos mortos. “Todos devem saber que atribuí ao primeiro-ministro Jawad Al-Urayyid a missão de formar um comitê especial para encontrar as razões que levaram a esses lamentáveis eventos”, afirmou. O rei também disse que avançaria com as reformas anunciadas desde que o país se tornou uma monarquia constitucional, em 2002. “A reforma continuará. Ela não parará.”

Em Manama, no Bahrein, Xiitas carregam caixão de jovem morto em protestos de segunda-feira
AFP
Em Manama, no Bahrein, Xiitas carregam caixão de jovem morto em protestos de segunda-feira
Após o discurso, milhares de manifestantes se reuniram na Praça Pérola, a principal da capital do país, Manama. Muitos carregavam bandeiras do Bahrein e cantavam: “Nem sunitas nem xiitas. Nós somos todos bareinitas”.

Nesta terça-feira, a polícia do Bahrein entrou em confronto com pessoas que acompanhavam o funeral de um manifestante xiita assassinado durante protestos na véspera. Uma pessoa morreu na confusão, disseram testemunhas e policiais.

Horas depois, o bloco parlamentar xiita de oposição Wefaq anunciou que estava suspendendo sua participação no Parlamento, após os dois xiitas terem sido mortos. "Este é o primeiro passo. Queremos ver diálogo", disse Ibrahim Mattar, deputado do Wefaq. "Nos próximos dias, vamos renunciar ou continuar", acrescentou.

O deputado Mattar disse que a polícia tentou dispersar a procissão fúnebre desta terça-feira utilizando gás lacrimogêneo, mas que os participantes se reagruparam e retomaram o cortejo. A polícia diz que os participantes do funeral atacaram quatro veículos oficiais no local. Fadhel Salman Matrook foi ferido no incidente e mais tarde morreu no hospital.

Depois do incidente, o funeral se transformou em protesto contra o governo, com gritos inspirados nas recentes manifestações que derrubaram os governos do Egito e Tunísia. "Exigimos a queda do regime", dizia a multidão.

O Bahrein, pequeno país insular no golfo pérsico, tem população de maioria xiita, mas é governado por uma monarquia sunita. Analistas dizem que os protestos no país, organizados pela internet, podem estimular uma rebelião da marginalizada minoria xiita na Arábia Saudita.

O governo do Bahrein, aparentemente tentando se antecipar à fúria xiita, havia oferecido benefícios financeiros à população antes da manifestação denominada "Dia de Fúria", convocada para a segunda-feira, e que ocorreu principalmente nas aldeias xiitas em torno de Manama.

O governo prometeu mil dinares (US$ 2.650) para cada família local, além de investimentos adicionais de US$ 417 milhões em investimentos sociais, como subsídios alimentares, num sinal de que as autoridades desistirão de fazer cortes nos gastos públicos, como se previa.

Ao contrário de outros países da região, o Bahrein não pertence à Opep (grupo de exportadores de petróleo) e não tem muito dinheiro sobrando para resolver problemas sociais.

*Com BBC

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