Em entrevista à BBC, Abdullah afirma que Bashar al-Assad deveria deixar o poder pelo bem do país

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Foto mostra rei Abdullah 2º da Jordânia, na Casa Branca, em 1º de setembro de 2010
Getty Images
Foto mostra rei Abdullah 2º da Jordânia, na Casa Branca, em 1º de setembro de 2010
O rei Abdullah da Jordânia intensificou a pressão pela renúncia do presidente sírio, Bashar al-Assad, nesta segunda-feira, dizendo que ele deveria deixar o poder pelo bem de seu país. Em entrevista exclusiva à BBC, o rei disse que a situação no país vizinho se transformou em um grande problema que causa frustração e preocupação em toda a região. "Acredito que, se estivesse em seu lugar, renunciaria."

"Eu deixaria o poder e faria questão de que quem me sucedesse tivesse a habilidade de mudar a situação que vemos", disse, referindo-se à repressão às manifestações pró-democracia na Síria dos últimos meses.

O rei Abdullah defendeu também que o presidente sírio inicie uma nova era de diálogo político antes de deixar o cargo. "Se Bashar (al-Assad) pensa no bem de seu país, ele vai renunciar, mas também vai pedir ajuda e criar uma nova fase na vida política da Síria."

Liga Árabe

No sábado, a Síria foi suspensa da Liga Árabe por causa da dura resposta das autoridades do país às revoltas populares. Dezoito membros da Liga, atualmente presidida pelo Catar, votaram a favor da suspensão da Síria, com a própria Síria, o Líbano e o Iêmen (que também enfrenta protestos pró-democracia) votando contra e a abstenção do Iraque.

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A votação ocorreu após a Síria aparentemente ignorar um plano da Liga , o qual havia aceitado inicialmente, que envolvia a libertação de prisioneiros, a retirada de forças de segurança das ruas e a abertura de um diálogo com a oposição.

O governo sírio vem restringindo a entrada de jornalistas estrangeiros no país, tornando difícil a verificação e a confirmação dos acontecimentos no local.

'Medida perigosa'

Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores do país, Walid al-Muallem, disse que a suspensão da Liga Árabe é "extremamente perigosa" e foi motivada pela interferência dos EUA.

"Hoje, há uma crise em que a Síria paga o preço por suas posições fortes. A Síria não vai mudar de posição e vai emergir mais forte... e as tramas contra a Síria fracassarão", disse al-Muallem.

O ministro também pediu desculpas pelos ataques de partidários do presidente Bashar al-Assad a embaixadas estrangeiras em Damasco. Multidões atacaram as embaixadas da França, Catar, Arábia Saudita e Turquia no sábado, após o anúncio da Liga Árabe.

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Bruxelas

As declarações do ministro sírio foram feitas no momento em que ministros europeus se reuniam em Bruxelas para discutir o endurecimento das sanções contra a Síria. O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, disse que a população civil do país precisa ser mais bem protegida.

"Hoje, chegou o dia para decidirmos como proteger melhor a população (síria). Espero que o Conselho de Segurança (da ONU) também finalmente tome uma posição", disse Juppé. Segundo a ONU, mais de 3,5 mil pessoas morreram na Síria desde o início dos protestos pró-democracia, em março. As autoridades sírias responsabilizam "terroristas" pela violência.

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