Rei da Arábia Saudita anuncia pacote de benefícios sociais

Governo tenta conter protestos, enquanto ativistas usam Facebook para convocar 'dia de fúria' no país

iG São Paulo |

Antes de retornar nesta quarta-feira à Arábia Saudita, após três meses de tratamento médico no exterior, o rei Abdullah anunciou uma série de benefícios para a população, informou a televisão estatal.

Os benefícios incluem um aumento de 15% nos salários de um milhão de sauditas que trabalham no setor público e um aumento de US$ 10,7 bilhões no fundo de financiamento da habitação para responder melhor às demandas de crédito imobiliário. Também foram anunciadas medidas para combater o desemprego e ajudar jovens a estudar no exterior.

Não foi anunciada nenhuma reforma política, como a realização de eleições municipais - uma exigência de grupos de oposição.

AFP
Fotos do rei Abdullah decoram rua de Riad para celebrar a volta do líder ao país, após tratamento médico

Abdullah, que estaria com cerca de 87 anos, viajou para os Estados Unidos em novembro para tratamento de uma hérnia de disco. Nas últimas quatro semanas ele estava se recuperando no Marrocos de uma cirurgia realizada em Nova York.

O pacote de benefícios sociais é anunciado em meio à revoltas populares em diferentes países no mundo árabe, que já derrubaram os governos de Tunísia e Egito.

'Dia de fúria'

Centenas aderiram a uma campanha no Facebook pela realização de um "dia de fúria" no mês que vem na Arábia Saudita, a fim de exigir eleições, liberdades para as mulheres e libertação de presos políticos.

Até esta quarta-feira de manhã, mais de 460 pessoas haviam aderido ao protesto convocado para 11 de março no reino, que é o maior exportador mundial de petróleo e tem uma monarquia absolutista. É impossível verificar, no entanto, quantas dessas pessoas estão na Arábia Saudita, e se o protesto irá de fato ocorrer.

As rebeliões árabes que derrubaram líderes na Tunísia e Egito foram iniciadas por jovens que se mobilizavam por redes sociais , mas ativistas na Arábia Saudita disseram que uma recente convocação pela internet para protestos em Riad não conseguiu levar ninguém às ruas.

No mês passado, uma manifestação em Jidá, depois de uma inundação na segunda maior cidade saudita, foi rapidamente dispersada.

No Facebook, os ativista reivindicam "que o governante e os membros do Conselho Shura (consultivo) sejam eleitos pelo povo", que haja um Judiciário independente, liberdade de expressão e reunião e que sejam libertados os presos políticos.

Eles pedem também um salário mínimo de 10 mil rials (US$ 2.700), mais oportunidades de emprego, criação de um órgão de combate à corrupção e revogação de "impostos e taxas injustificados". Há ainda pedidos de reconstrução das Forças Armadas, reforma do clero conservador sunita e "abolição de todas as restrições ilegais sobre as mulheres".

Apesar da sua riqueza petrolífera, a Arábia Saudita enfrenta um índice desemprego que chegou a 10,5% em 2009. O reino oferece benefícios sociais a seus 18 milhões de cidadãos, mas estes são considerados menos generosos que os de outros países petrolíferos do golfo Pérsico.

Com Reuters

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