Dois americanos, um espanhol e um britânico estavam desaparecidos desde 4 de abril, quando cobriam os levantes opositores na Líbia

Quatro jornalistas detidos na Líbia, dois americanos, um espanhol e um britânico, foram libertados e chegaram nesta quarta-feira ao hotel Rixos, na capital líbia, Trípoli. Os jornalistas estavam fatigados, mas em bom estado de saúde.

Porta-voz do governo Mussa Ibrahim (D) fala com Manu Brabo (E), da Espanha, Nigel Chandler, do Reino Unido, e os americanos Clare Morgana Gillis (C) e James Foley
AFP
Porta-voz do governo Mussa Ibrahim (D) fala com Manu Brabo (E), da Espanha, Nigel Chandler, do Reino Unido, e os americanos Clare Morgana Gillis (C) e James Foley
Na terça-feira, um porta-voz do governo líbio, Musa Ibrahim, havia declarado que dois americanos, um espanhol e um sul-africanos seriam liberados "muito em breve". Mas no lugar do sul-africano foi o britânico Nigel Chandler que chegou ao hotel. "Houve uma confusão" quanto à identidade dos jornalistas, indicou nesta quarta-feira Musa Ibrahim, acrescentando que o sul-africano "não havia sido localizado". O embaixador sul-africano em Trípoli, no entanto, esperava seu compatriota no hotel.

"Os quatro jornalistas foram julgados por um tribunal administrativo e condenados a um ano de prisão e a uma multa de 200 dinares (cerca de US$ 154) cada um, por entrada ilegal no país", segundo declarou o porta-voz do governo, mas acabaram sendo soltos.

Dois americanos, James Forley da agência de notícias GlobalPost e Clare Morgana Gillis, jornalista independente, assim como dois fotógrafos, o espanhol Manu Brabo e o sul-africano Anton Hammerl, haviam desaparecido no dia 4 de abril quando cobriam o conflito na Líbia. O governo havia informado mais tarde que ambos estavam detidos.

Ministro

Na terça-feira, o regime do líder líbio, Muamar Kadafi, pode ter sofrido um novo revés. De acordo com o Ministério do Interior tunisiano, o ministro do Petróleo da Líbia fugiu para a vizinha Tunísia no fim de semana. Autoridades em Trípoli disseram que o ministro estava em uma viagem de negócios fora do país.

Shukri Ghanem, que foi presidente da poderosa companhia estatal de petróleo líbia NOC, entrou em território tunisiano pelo posto de fronteira de Ras al-Jedir e se estabeleceu na ilha de Djerba (leste do país), com várias outras autoridades líbias, segundo fontes da Tunísia.

O ministro do Petróleo, que retornou à direção da companhia de hidrocarbonetos líbia no final de 2009 após ter sido destituído três anos antes, chegou a Djerba em uma operação sigilosa.

A deserção de Ghanem, que não foi confirmada pelo regime de Trípoli, representa um duro golpe para Kadafi, já que ele era um dos dirigentes mais influentes dentro do círculo de poder líbio. Era considerado como um dos homens mais fiéis ao coronel, e à frente do NOC e do Ministério do Petróleo dirigia todas as molas do poder econômico do regime.

Desde o início de abril, Ghanem figurava entre os cinco altos cargos do governo líbio contra quem o Departamento do Tesouro americano havia estendido a aplicação de suas sanções econômicas contra a Líbia. Com ele já são quatro os ministros de Kadafi a desertar.

Também há informações de que Mohammed, o filho mais velho do líder líbio, Muamar Khadafi, foi para a Tunísia para se submeter a um tratamento médico.

*Com AFP

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