Regime de Kadafi permitirá acesso de ajuda humanitária, diz ONU

Acordo permite que agentes das Nações Unidas se estabeleçam na capital da Líbia e circulem livremente pelo território

iG São Paulo |

O governo líbio prometeu que dará às equipes de ajuda humanitária acesso a áreas sob seu controle, segundo informou a Organização das Nações Unidas (ONU). Autoridades afirmam que o acordo permite que os agentes humanitários se estabeleçam na capital da Líbia, Trípoli, e circulem livremente pelo território do país.

As forças do líder líbio, coronel Muamar Kadafi, têm mantido pressão sobre a cidade de Misrata, controlada por rebeldes, em uma ofensiva que, segundo estimativas, já deixou centenas de mortos. Relatos dão conta que a cidade está ficando sem alimentos básicos e suprimentos médicos.

De acordo com a ONU, os combates deveriam parar em Misrata para que equipes humanitárias possam atender a população. No entanto, o governo ainda não se comprometeu com um cessar-fogo.

As forças de oposição disseram nessa segunda-feira que estão mantendo suas posições em Misrata. Eles também afirmaram que as tropas de Kadafi continuam pressionando a cidade de Ajdabiya, sob controle dos rebeldes, no leste do país.

Reuters
Homem acena para barco que levou moradores de Misrata a Benghazi (18/04)

Evacuação

Enquanto isso, cerca de mil líbios e trabalhadores estrangeiros que foram evacuados de Misrata chegaram na noite dessa segunda-feira à cidade de Benghazi, principal base dos rebeldes. As pessoas foram transportadas em um navio fretado pela agência de ajuda Organização Internacional para a Migração (IOM, sigla em inglês). A entidade afirma que milhares de outras pessoas estão esperando para ser evacuadas.

Alguns dos refugiados que chegaram a Benghazi na noite de segunda-feira acusaram as tropas do regime de atirarem indiscriminadamente. A IOM afirma que a situação em Misrata é cada vez mais perigosa.

"Nós gostaríamos de poder tirar mais gente de lá, mas isto não foi possível", afirmou Jeremy Haslam, da missão de resgate da IOM. "Embora a troca de tiros tenha diminuído quando estávamos embarcando (...), tivemos um período muito limitado para embarcar os migrantes e os líbios e sair".

Apesar da resolução aprovada em março pelo Conselho de Segurança da ONU, autorizando bombardeios na Líbia para proteger os civis, os rebeldes foram incapazes de manter território durante os combates nas cidades costeiras do leste do país.

Kadafi está desafiando a pressão internacional para que deixe o poder, apesar da revolta popular iniciada em fevereiro, em Benghazi, contra o seu regime, que já dura 41 anos.

'Táticas desleais'

O tenente-general canadense Charles Bouchard, chefe das operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia, afirma disse que as tropas de Kadafi estão empregando táticas "desleais e imorais" durante sua ofensiva em Misrata.

"As forças de Kadafi tiraram seus uniformes, estão se escondendo nos telhados de mesquitas, hospitais, escolas, é lá onde seu equipamento pesado está posicionado (...) e eles estão usando mulheres e crianças como escudos", afirmou o militar à Canadian Broadcasting Corporation (CBC). "Então, quando as pessoas me perguntam 'por que vocês não estão fazendo algo?', bem, eu não vou me rebaixar a este nível. Eu não vou fazer o tipo de tática de guerra que ele está fazendo. O meu trabalho é ajudar a população", disse Bouchard.

O chefe do Conselho Nacional de Transição líbio, Abdul Jalil, deixou o Catar em direção a Roma, onde deverá discutir a situação de seu país com altas autoridades italianas, incluindo o primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Assim como a França, a Itália reconhece o conselho, formado por rebeldes, como o único representante legítimo da população líbia.

Com BBC

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