Região leste da Líbia se declara semiautônoma

Medida deve criar tensão entre representantes locais e governo interino líbio, que teme uma divisão territorial

iG São Paulo |

Líderes tribais e comandantes de milícia declararam a região leste da Líbia, rica em petróleo, como semiautônoma. A medida anunciada nesta terça-feira, que segundo a BBC não tem valor legal, deve criar tensão entre os representantes da região e o Conselho Nacional de Transição (CNT), governo interino do país, que teme uma divisão territorial.

“Isso é muito perigoso, é um passo para a fragmentação. Rejeitamos isso totalmente”, disse Fathi Baja, chefe do comitê político do CNT. “Somos contra divisões e contra qualquer medida que fere a unidade do povo líbio.”

Leia também: Líbia comemora um ano do levante, mas teme ação de milícias

AFP
Ahmed Al-Zubair acena após ser eleito líder da região semiautônoma do leste da Líbia em Benghazi

A declaração de semiautonomia da região foi feita em uma cerimônia na cidade de Benghazi, berço da revolta popular que no ano passado derrubou o líder Muamar Kadafi , que governou o país por 42 anos e foi morto em outubro . Milhares de representantes de tribos, milícias e políticos participaram do evento, dizendo que a medida não busca a divisão da Líbia mas o fim de “décadas de marginalização” sob o regime de Kadafi.

De acordo com o grupo, o líder concentrou investimentos no oeste do país, levando a um caos na infraestrutura do leste. Muitos moradores da região acusam o CNT de dar continuidade a essa situação.

A região, conhecida como Barqa ou Cyrenaica, quer ter seu próprio parlamento, força policial, sistema judiciário e capital (Benghazi). Política externa, Exército nacional e recursos petrolíferos ficariam a cargo do governo federal, com base em Trípoli.

Barqa iria do centro da Líbia à fronteira do Egito, sendo delimitado ao sul pelas fronteiras com o Chade e o Sudão.

A medida retoma um sistema que vigorou entre 1951 e 1963, antes da chegada de Kadafi ao poder, que dividia a Líbia em três Estados: Tripolitania, a oeste, Fezzan, no sudeste, e Cyrenaica, no leste.

Ahmed Al-Zubair, homem conhecido como o prisioneiro político que ficou preso por mais tempo durante o regime de Kadafi, foi apontado como líder do conselho político que chefiará a região. Uma eleição será realizada em duas semanas para escolher os demais nomes do comitê.

“Somos irmãos, protegemos uns aos outros. A Líbia não será dividida. Somos uma só nação”, afirmou Al-Zubair, durante a cerimônia. “Serei o líder que vai proteger a justiça e a igualdade. Vou proteger nossos direitos.”

Com AP e BBC

    Leia tudo sobre: mundo árabekadafimorte de kadafibenghaziprimavera árabelíbia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG