Refugiados palestinos fogem diante de ofensiva das forças sírias

Segundo porta-voz da ONU, entre 5 mil e 10 mil palestinos deixaram campo de Al-Ramel, no sul da cidade litorânea

iG São Paulo |

Forças sírias bombardearam nesta segunda-feira bairros residenciais de Latakia, pelo terceiro dia de ações militares contra áreas sunitas da cidade portuária, levando milhares de refugiados palestinos a fugir.

À BBC o porta-voz Christopher Gunness, da Agência aos Refugiados Palestinos no Oriente Médio (UNRWA, na sigla em inglês), disse que entre 5 mil e 10 mil refugiados palestinos deixaram o campo de Al-Ramel, em Lakatia, onde crescem os protestos contra o regime do presidente Bashar al-Assad.

AP
Imagem de video mostra cidade litorânea de Latakia, onde forças sírias realizam ofensiva pelo terceiro dia (14/8)
“Não temos ideia de onde essas pessoas estão, não sabemos quantos deles foram feridos ou estão morrendo, ou mesmo se são idosos, mulheres ou crianças, disse Gunness, ao acrescentar que alguns refugiados foram aconselhados pelo governo sírio a deixar o campo de refugiados na cidade litorânea.

Segundo o porta-voz, a situacao no campo para refugiados é alarmante e a UNRWA deve precisa acesso ao local para saber o que está, de fato, acontecendo na cidade.

De acordo com um ativista entrevistado pela BBC, tropas sírias estão atirando contra “qualquer coisa que se mova” em Latakia. Somente nesta segunda-feira, ele acrescentou, quatro pessoas morreram. Desde o início da ofensiva das forças sírias na cidade litorânea, no sábado, 30 teriam morrido.

Testemunhas disseram que o Exército sírio se prepara para lançar uma operação maciça contra o sul de Latakia e chegou a pedir aos moradores do bairro que o abandonem. O porta-voz dos Comitês de Coordenação Local, Omar Edelbe, disse à agência EFE que a ofensiva terá o objetivo de deter pessoas procuradas pelas autoridades, líderes das manifestações e soldados que desertaram do Exército para se unir aos cidadãos.

Na província de Homs, no centro da Síria, dezenas de veículos blindados e tanques do Exército irromperam na localidade de Al Haula.

Os soldados dispararam indiscriminadamente, mas até o momento não há informações sobre vítimas, acrescentou Edelbe.

Nesta segunda-feira ainda foram registrados distúrbios e prisões na capital Damasco. A cidade de Homs, palco de massivos protestos opositores nos últimos meses, também foi palco de operações das forças militares sírias. De aordo com o Observatório para Direitos Humanos sírio, grupo de direitos humanos com sede em Londres, mais de 700 pessoas foram presas nos arredores de Homs desde o inicio de agosto.

Segundo grupos de direitos humanos, nos últimos seis meses, mais de 1,7 mil pessoas morreram e mais de 3 mil foram detidas durante os protestos contra o regime do presidente Bashar al-Assad.

Pressão

Nesta segunda-feira, o ministro de Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse que as operações militares do governo sírio contra civis precisam parar imediatamente. Davutoglu disse que essa é a "palavra final" do governo turco e reforçou o coro internacional contra Assad.

Paralelamente, o primeiro-ministro da Jordânia, Marouf al-Bakhit, também pediu que a repressão síria contra o levante popular que já dura cinco meses termine imediatamente, acrescentando que a implementação acelerada de reformas traria estabilidade ao país.

*Com AP, EFE e BBC

    Leia tudo sobre: síriaprotestosrevoltamundo árabebashar al-assad

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG