Rebeldes tomam centro de reduto de Kadafi, diz governo interino

CNT informou que o centro de Bani Walid foi tomado e a nova bandeira da Líbia foi hasteada no local

iG São Paulo |

As forças do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia disseram nesta segunda-feira que tomaram grande parte de Bani Walid, um dos redutos de Muamar Kadafi, líder deposto no país. De acordo com o porta-voz Ahmed Beni, 90% do enclave desértico, localizado a sudeste da capital, Trípoli, incluindo o centro da cidade, estão nas mãos de seus combatentes.

AFP
Combatentes leais ao governo interino líbio guardam a entrada da cidade de Bani Walid

Se a informação for confirmada, essa terá sido a primeira vez que as forças opositoras chegaram ao centro dessa cidade. Segundo a Reuters, outros informantes garantem que as forças enfrentaram forte resistência, mas que a nova bandeira da Líbia foi hasteada no local.

Moamar al-Warfali, um dos residentes, disse que as forças do governo interino tomaram o centro, um hospital e uma série de edifícios altos, anteriormente usados pelos atiradores de Kadafi que dificultavam a entrada dos combatentes.

O canal CNN informou que cerca de 20 soldados leais ao líder deposto foram capturados no sábado, enquanto as forças do CNT tentavam tomar o centro da cidade pelo norte e pelo sul desde domingo.

Junto a Sirte, cidade natal de Kadafi, Bani Walid era o outro local de importância da Líbia. Acredita-se que cerca de 1,5 mil partidários do líder deposto ainda estavam na cidade. Bani Walid é a terra da tribo Warfalla, a maior e uma das mais influentes do país. A cidade está sitiada há semanas, e as autoridades negociavam uma rendição com os líderes tribais.

Um grupo que diz representar moradores locais ofereceu na segunda-feira uma trégua ao governo provisório, prometendo controlar a cidade e ser leal a Trípoli, em troca da retirada das forças militares e do fim do cerco. Não ficou clara qual será a resposta do governo provisório, ou se no momento da oferta Bani Walid já haviam sido tomadas pelas forças sitiantes.

Enquanto isso, em Sirte, não houve sinais de avanços das forças do governo provisório na segunda-feira. Os combatentes continuam bombardeando o bolsão onde se concentram os partidários de Kadafi, e alguns soldados se mostram irritados com seus superiores por não darem ordens para atacar.

O CNT diz que só vai começar a instauração de um regime democrático na Líbia quando todo o território - inclusive Sirte - estiver sob seu controle.

Um médico da entidade Médicos Sem Fronteiras que está em Sirte disse que há cerca de 10 mil retidos na cidade, que tem 75 mil habitantes. Muitos desses moradores retidos são mulheres e crianças, e alguns deles estão doentes ou feridos.

Na capital líbia, que foi palco de conflitos na sexta-feira dois meses depois de ter sido tomada pelos então rebeldes, escavadeiras trabalhavam para demolir o complexo de Bab al-Aziziya, fortaleza de Kadafi. Para líderes do governo interino, chegou o momento de "derrubar os símbolos da tirania".

Khamis Kadafi

Um canal de televisão ligado a Kadafi confirmou a morte de Khamis, filho caçula do ex-ditador. Essa informação já havia sido divulgada pelo CNT em agosto , mas ainda não tinha sido confirmada.

O canal Arrai, que tem sede em Damasco, informou na noite de domingo, que Khamis morreu em 29 de agosto na cidade de Tarhuna, 80 km ao sudeste de Trípoli, "combatendo os inimigos da pátria". Seu primo Mohamed, filho do comandante de serviços de inteligências de Kadafi, Abdullah Senusi, também morreu no mesmo dia.

Essa é a primeira vez que um meio de comunicação pró-Kadafi confirma a morte de Khamis, anunciada diversas vezes desde o início do conflito, mas negada a cada oportunidade pelo antigo regime. De acordo com as novas autoridades líbias, Khamis foi sepultado na região de Tarhuna.

O filho mais novo de Kadafi tinha 28 anos e comandava uma brigada que era considerada uma das mais eficientes das forças leais ao líder deposto.

Com AP, EFE e Reuters

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