Rebeldes sírios capturaram agentes de segurança, dizem ativistas

Chefe da Liga Árabe afirmou que francoatiradores continuam a ameaçar a segurança no país, apesar da missão de observadores

iG São Paulo |

Rebeldes sírios armados capturaram dezenas de membros das forças de segurança após tomar dois postos militares na província de Idlib, ao norte do país na segunda-feira, informaram ativistas do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

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Reuters
Em meio a manifestantes, observadores da Liga Árabe são identificados com coletes amarelos no dia 30 de dezembro

Segundo o grupo, desertores do Exército também entraram em confronto com forças de segurança em um terceiro posto militar, matando e ferindo um número de soldados leais ao presidente Assad.

Rami Abdelrahman, diretor do OSDH, disse que a operação de segunda-feira ocorreu na região Jabal al-Zaeiyah em Idlib. Segundo ele, não ficou imediatamente claro quantas pessoas foram feridas ou capturadas pelos rebeldes.

O governo sírio impede a maioria dos jornalistas internacionais de trabalhar no país, dificultando a verificação dos números e dos incidentes.

Atiradores

O chefe da Liga Árabe afirmou nesta segunda-feira que o regime da Síria retirou os tanques das cidades, mas que as forças de segurança não pararam de atirar contra os manifestantes que pedem a renúncia do presidente Bashar al-Assad.

Leia também: Consultor da Liga Árabe pede retirada de missão da Síria

Nabil Elaraby disse em uma coletiva que francoatiradores de elite do regime continuam a operar nas cidades, apesar da presença de observadores da Liga Árabe no país.

Ele acrescentou que o governo de Assad libertou 3,5 mil prisioneiros, detidos durante os protestos que tomam conta do país desde março. Elaraby pediu à oposição e aos civis que ajudem a missão observadora enviando nomes de parentes e amigos que eles acreditam estar detidos.

Ao menos 150 pessoas foram mortas desde que os monitores árabes iniciaram sua missão na última terça-feira para verificar o cumprimento do acordo firmado entre a Liga Árabe e o regime de Bashar al-Assad para colocar um fim à violenta repressão aos protestos.

A ONU estima que mais de 5 mil pessoas foram mortas desde o início das revoltas, enquanto o governo afirma que tem sofrido ataques de grupos terroristas armados.

No domingo, um órgão de consultas da Liga Árabe solicitou a retirada imediata da missão , afirmando que ela acabou dando permissão a Damasco para encobrir a contínua violência e os abusos que assolam o país.

O líder do grupo consultivo, Ali Salem al-Deqbasi, disse que a presença dos monitores é uma distração das "flagrantes violações" cometidas pelo regime de Assad.

"O assassinato de crianças e as violações dos direitos humanos estão acontecendo na presença dos observadores da Liga Árabe, aumentando a raiva entre o povo árabe", ele disse. "A missão da equipe da Liga Árabe perdeu seu propósito de impedir a morte de crianças e garantir a saída das tropas das ruas sírias, dando uma chance ao regime do país de abafar a prática de atos desumanos sob os narizes dos monitores árabes", acrescentou em comunicado.

Dois dias antes, dois dos principais partidos opositores sírios concordaram com um roteiro para chegar à democracia se os protestos em massa tiverem sucesso em derrubar o presidente Assad. O grupo de oposição líder, o Conselho Nacional Sírio (CNS), em exílio, assinou o acordo com o Comitê de Coordenação Nacional, grupo cuja maioria está dentro da Síria e discordou de ensejos do CNS por uma intervenção internacional.

Essa foi uma de algumas disputas que dividiram os grupos de oposição e os impediram de chegar a um acordo sobre como seria uma Síria pós-Assad.

Com AP e Reuters

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