Rebeldes oferecem anistia e recompensa a quem entregar Kadafi

Empresário pagará entre R$ 2 milhões e R$ 2,7 milhões a quem capturar ou matar líder líbio cujo paradeiro é desconhecido

iG São Paulo |

AP
Rebeldes pisam em parte de estátua do líder Muamar Kadafi em Trípoli (23/8)
O Conselho Nacional de Transição (CNT, que reúne a oposição líbia) ofereceu nesta quarta-feira anistia e uma recompensa milionária a quem matar ou capturar o líder líbio Muamar Kadafi .

O anúncio é feito um dia após os rebeldes terem tomado o quartel-general de Kadafi, cujo paradeiro é desconhecido.

"O Conselho Nacional de Transição anuncia que qualquer um que capturar ou matar Kadafi receberá anistia ou perdão por qualquer crime que tenha cometido", declarou o líder do CNT, Mustafa Abdul Khalil. "O regime de Kadafi não estará acabado enquanto ele não for capturado vivo ou morto."

Segundo Khalil, um empresário de Benghazi, que ele não quis identificar, se dispôs a pagar uma recompensa de 2 milhões de dinares líbios a quem capturar ou matar Kadafi. O valor equivale a entre US$ 1,3 milhão e US$ 1,7 milhão (entre R$ 2 milhões e R$ 2,7 milhões).

Rebeldes líbios travaram combates nesta quarta-feira na tentativa de assegurar o controle de Trípoli. Combates ocorreram no centro da cidade, onde foram ouvidos tiros e barulhos de lança-foguetes e morteiros. Segundo os rebeldes, várias ruas estavam desertas por causa da presença de dezenas de atiradores leais a Kadafi. Um grupo de rebeldes armados entrou no Hotel Corinthia para buscar em cada quarto Saadi Kadafi, filho do líder líbio que é comandante das Forças Especiais.

Enquanto os rebeldes trabalham para destruir o que ainda há do aparato militar de Kadafi, forças especiais do Reino Unido, França, Jordânia e Catar estão há alguns dias em campo na Líbia para ajudá-los em operações na capital, Trípoli, e em outras cidades do país, disse nesta quarta-feira um funcionário da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à rede de TV CNN. 

Segundo a fonte, particularmente as forças britânicas têm auxiliado as unidades rebeldes a "se organizar melhor para conduzir as operações". Algumas dessas forças de todos os países viajaram com as unidades rebeldes através da Líbia em seu avanço a Trípoli. A autoridade da Otan, que falou sob condição de anonimato, disse que as forças especiais ajudaram os rebeldes a "melhorar suas táticas".

O número 2 dos serviços de inteligência líbios declarou apoio aos rebeldes opositores. "Eu me coloco a serviço da nação e convoco generais e soldados que são filhos da Líbia a se juntarem à revolução 17 de Fevereiro", disse o general Khalifah Mohammed Ali, em entrevista à rede de TV Al-Arabiya.

Fundos

Nesta quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU se reúne para discutir o desbloqueio de bens líbios congelados, que foram congelados em 26 de fevereiro por uma resolução das Nações Unidas que impôs severas sanções a Kadafi, seus parentes e pessoas próximas ao líder líbio. Os Estados Unidos apresentarão um projeto de resolução ao conselho para desbloquear US$ 1,5 bilhão para apoiar os rebeldes líbios e suprir "as necessidades humanitárias" que a Líbia atravessa.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou uma conferência entre países "amigos da Líbia" para 1º de setembro em Paris, da qual participarão o Brasil e os outros países membros dos Brics Rússia, Índia e China. O encontro foi "decidido com o pleno acordo com o premiê britânico, David Cameron" e terá como objetivos "desbloquear os fundos líbios congelados nos bancos no exterior e passar da fase da colaboração militar para a da colaboração civil para a reconstrução".

Durante reunião extraordinária de seus ministros das Relações Exteriores, a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) não chegou a uma posição comum sobre a situação da Líbia. "Nós discutimos o assunto, reconhecemos que é uma situação em evolução, mas não tomamos nenhuma posição conjunta a respeito", disse a presidente temporária da Unasul e ministra das Relações Exteriores da Guiana, Carolyn Rodríguez, em Buenos Aires.

Também nesta quarta-feira, jornalistas estrangeiros conseguiram deixar o hotel Rixos , no centro de Trípoli, onde passaram cinco dias retidos por forças leias a Kadafi. Dezenas de profissionais foram levados em carros da Cruz Vermelha para outro hotel, o Corinthia, onde muitos se abraçaram e choraram ao chegar. O Ministério das Relações Exteriores da Itália anuncou que quatro jornalistas italianos foram sequestrados na Líbia. A ação, aparentemente feita por forças leais a Kadafi, teria ocorrido em uma estrada entre Zawiah, 50 km a oeste da capital Trípoli.

O Departamento de Estado americano confirmou nesta quarta-feira que todos os cidadãos americanos detidos na Líbia já foram postos em liberdade, mas manifestou preocupação com o bem-estar dos que permanecem em Trípoli.

Convocação

Em mensagem de áudio divulgada por uma rádio local, Muamar Kadafi conclamou a população a lutar "até a vitória ou a morte". "Convoco os moradores de Trípoli - jovens, velhos e brigadas armadas - a defender a cidade, limpá-la e pôr um fim aos traidores, expulsá-los", disse Kadafi. "Essas gangues querem destruir Trípoli. Eles são a maldade. Temos de lutar contra eles."

Em uma entrevista reproduzida pela TV Al-Urubah (favorável ao regime), Kadafi pediu que tribos e habitantes de outras cidades socorram a população da capital.

"Convoco às tribos de Sebha, Beni Oualid, Feran, Yufra e Anwaset para que ajudem a limpar a capital. Vocês devem tomar Trípoli e varrê-la para eliminar os ratos", afirmou.

Kadafi disse também que o seu quartel-general foi arrasado não pelos rebeldes, mas por 64 ataques aéreos conduzidos pela Otan, que realiza bombardeios em território líbio em cumprimento de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. Kadafi também disse que as forças leais a ele deixaram o complexo de Bab al-Aziziya porque ele não serve mais a propósitos militares ou estratégicos.

À noite, centenas de pessoas foram à Praça Verde, no centro da capital, para comemorar a tomada do complexo de Kadafi. Rebeldes atiram para o alto e balançaram bandeiras.

Com BBC, AFP e EFE

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