Rebeldes: Morte ou prisão de Kadafi é questão de tempo

Conselho Nacional de Transição promete eleição de Assembleia Constituinte em até oito meses na Líbia

iG São Paulo |

O Conselho Nacional de Transição da Líbia (CNT), órgão político dos rebeldes, afirmou nesta sexta-feira que a maior parte do país já está segura e que a prisão ou a morte do coronel Muamar Kadafi é uma questão de tempo.

AP
Vizinhos conversam em frente à pizzaria danificada durante confrontos em Misrata, na Líbia

“O coronel Kadafi se esconde, está isolado, e é apenas uma questão de tempo para que seja detido ou morto”, afirmou o representante do órgão no Reino Unido, Guma Al-Gamaty. “À medida que Trípoli está estabilizada e segura, como a maioria das cidades, os líbios podem começar o processo de transição.”

Gamaty disse que há um caminho claro em direção à democracia no país e que os rebeldes não permitirão que Kadafi atrapalhe as mudanças. Segundo ele, dentro de oito meses o país realizará eleições para uma Assembleia Constituinte.

“Estabelecemos um cronograma preciso, com um período de transição de 20 meses”, declarou. “Durante oito meses o CNT dirigirá a Líbia, antes que uma assembleia eleita pelo povo assuma o comando para redigir uma Constituição. Depois, ao final de um ano, serão realizadas eleições presidenciais.

Horas antes, o ministro interino da Reconstrução da Líbia, Ahmed Jehani, disse à agência de notícias Reuters que as empresas estrangeiras de petróleo deverão retornar o mais rápido possível ao país, já que os danos na infraestrutura petrolífera são limitados.

Jehani afirmou que a Líbia precisará de técnicos e especialistas na produção de petróleo para conseguir recuperar sua economia.

Exército

Também nesta sexta-feira, o general Omar al Hariri, que integra o CNT, anunciou que as unidades militares sublevadas e as forças rebeldes se unirão para criar um novo Exército Nacional líbio, cuja missão será garantir a segurança do país.

"Não existe diferença alguma entre as forças rebeldes e o Exército Nacional. Grande parte do Exército esteve com os rebeldes desde o princípio. Todos lutaram no mesmo grupo e agora seguirão unidos", afirmou o general.

"O objetivo agora é criar um novo Exército Nacional com todas as forças para garantir a segurança do país, a democracia e o respeito dos direitos humanos da nova Líbia", acrescentou.

Al Hariri também disse que Kadafi debilitou o Exército Nacional criando diferentes unidades para sua própria defesa e para a defesa de sua família e marginalizando outras, em particular as do leste do país. Segundo ele, nem todos os rebeldes serão integrados ao Exército, mas os que forem serão bem treinados. "Nos últimos seis meses muita gente chegou e trabalhamos para formá-los. Em muito pouco tempo haverá novos soldados na rua", afirmou.

Cúpula em Paris


Na quinta-feira, durante uma cúpula internacional em Paris , os membros do conselho líbio garantiram a líderes mundiais que construirão uma sociedade permeada de tolerância e respeito às leis. O presidente francês Nicolas Sarkozy, que presidiu a cúpula, enfatizou a necessidade de "reconciliação e perdão" durante o processo. Ele também garantiu que a ajuda militar da Otan irá continuar. "Enquanto Kadafi for uma ameaça, os ataques continuarão", afirmou Sarkozy, em entrevista coletiva após o encontro.

Os 63 países e organizações internacionais que participaram da conferência se comprometeram com uma série de medidas para ajudar na reconstrução do país, que incluem o desbloqueio de cerca de US$ 15 bilhões (R$ 24 bilhões) em bens do regime do coronel Muamar Kadafi "o mais rápido possível".

Nesta sexta-feira, os representantes dos países e os líderes líbios continuaram as conversas a portas fechadas para determinar como o dinheiro liberado será gasto.

Segundo os organizadores, o foco deverá ser as necessidades básicas do país, como remédios, comida e água, assim como a segurança durante o período de transição antes das eleições democráticas.

Kadafi permanece foragido, em local desconhecido. "Que haja uma longa luta e que a Líbia seja tomada pelas chamas", disse Kadafi, em um discurso de origem incerta, transmitido pela TV síria Arrai na última quinta-feira.

Ele falou durante o 42º aniversário de sua emergência como líder do país. A data era, até o ano passado, ocasião para celebrações no país. Neste ano, houve celebrações com bandeiras na praça principal de Trípoli.

As bandeiras, no entanto, tinham cores do CNT - preto, verde e vermelho - ao invés de serem verdes, como as do regime de Kadafi. O local, que se chamava Praça Verde é conhecido agora como Praça dos Mártires, o nome que tinha antes do governo do coronel líbio.

Com BBC e AFP

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