Avanço é considerado importante para oposição, que continua combatendo forças de Kadafi em cidades como Misrata

Rebeldes líbios assumiram o controle de um posto na fronteira com a Tunísia, em um avanço contra as tropas do regime do coronel Muamar Kadafi, segundo informam testemunhas. O posto de passagem de Wazin, localizado nas montanha a oeste da Líbia, foi controlado pelas forças contrárias ao governo após intensos combates na manhã desta quinta-feira.

A agência de notícias estatal tunisiana TAP informa que, segundo altas fontes militares, pelo menos 13 oficiais do Exército líbio desertaram e fugiram para a Tunísia, incluindo um coronel e dois comandantes, que foram detidos ao cruzar a fronteira.

De acordo com a TAP, o posto de fronteira de Wazin foi fechado após ficar sob controle dos rebeldes.

A tomada do posto é considerado um avanço importante para os rebeldes nesta região da Líbia. Até o momento, as forças contrárias ao governo controlam grande parte do leste, enquanto Kadafi domina a capital Trípoli e boa parte do oeste do país.

Misrata

Esforços continuam sendo feitos para evacuar líbios feridos e trabalhadores estrangeiros da cidade de Misrata, palco de intensos combates entre rebeldes e forças do governo. O mar é a única rota de saída, por onde os refugiados esperam ser transportados por meio de balsas até Benghazi.

A morte de dois fotógrafos enquanto cobriam o conflito em Misrata, nessa quarta-feira, demonstra os perigos para a população civil situada na cidade. O britânico Tim Hetherington, de 40 anos, teria sido morto em um ataque de granada. O americano Chris Hondros, de 41, também morreu no ataque, que deixou dois outros fotógrafos feridos.

Um porta-voz do governo lamentou a morte dos jornalistas, cujos corpos estão sendo levados a Benghazi, mas ressaltou que desconhece as circunstâncias em que isto ocorreu. Apenas na quarta-feira, cem pessoas teriam sido atendidas no hospital de Misrata e pelo menos cinco civis teriam sido mortos.

Menino espera em fila para comprar pão em Misrata, na Líbia
Reuters
Menino espera em fila para comprar pão em Misrata, na Líbia

A coordenadora de Assuntos Humanitários da ONU, Valerie Amos, alertou que é necessário manter a separação entre as operações militares e o trabalho de ajuda humanitária na Líbia.

Segundo Amos, ainda não há necessidade de aceitar a oferta da União Europeia de escolta do Exército durante a entrega de suprimentos para a população do país, que enfrenta confrontos entre forças pró-governo e rebeldes desde fevereiro.

Para Amos, escoltas militares podem colocar funcionários da ONU em risco e impedir que os suprimentos cheguem aos dois lados no conflito. "Temos de ser extremamente cuidadosos com isso e garantir que os limites não sejam desrespeitados."

Grã-Bretanha, França e Itália afirmaram esta semana que vão enviar pequenas equipes de conselheiros militares para treinar rebeldes que querem tirar Khadafi do poder.

Com BBC

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